Uma mulher de 43 anos morreu antes de receber atendimento médico, no saguão de entrada do Pronto-Socorro Central, em Bauru. A vítima, a faxineira Gisele Cristina Godoy Bueno Gianinni, sofreu um infarto fulminante, depois de cerca de meia hora de espera na unidade, segundo o relato de familiares.
Eles alegam que houve negligência e prometem ingressar com uma ação por danos morais contra a prefeitura. A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde, contudo, garante que a paciente enfartou assim que chegou ao PSC, quando prestava as primeiras informações sobre seu estado de saúde às atendentes.
Irmã de Gisele, Luciana Aparecida Bueno da Silva conta que a faxineira morava na zona rural. Ao perceber que ela não estava passando bem, o companheiro a levou até o PSC na manhã da última segunda-feira (20).
“Ela relatou que estava com dor no peito e com dificuldade para respirar. Fizeram a ficha e pediram para aguardar. Ela sentou no banco de espera e ficou por quase meia hora lá, até morrer”, reclama.
Quando Gisele perdeu os sentidos, foi imediatamente socorrida. A Saúde informou que foram cerca de 20 minutos de tentativas de reanimação cardíaca.
“Nem pela triagem ela havia passado. Não aferiram pressão, nada”, diz Luciana. A assessoria de imprensa da Saúde argumenta que a mulher era obesa, hipertensa e com problemas cardiovasculares e que já vinha relatando dores ao companheiro desde domingo. A decisão por procurar ajuda médica, porém, só teria ocorrido na manhã da última segunda (20).
Poucos instantes depois de chegar ao PSC, ela teria sofrido o infarto. Gisele deixa os pais, quatro filhos e dois netos. Ela foi sepultada ainda ontem no distrito de Tibiriçá, onde a família reside.
Por meio de nota, a Secretaria de Saúde também informou que tem realizado reuniões constantes para melhorar o atendimento na rede de urgência. “Recentemente, uma equipe multidisciplinar ficou mais de uma semana dentro do PSC para avaliar o acolhimento e o atendimento dado aos pacientes. Protocolos para mudanças emergenciais foram gerados e serão colocados em prática antes dos 100 dias de governo”.
Além da construção do Centro de Referência em Urgência, a secretaria ressalta que também defende a necessidade de alterar o modelo assistencial e qualificar o atendimento à população. “As equipes receberão treinamento e suportes necessários para que as mudanças aconteçam. A contratação de pediatras e a abertura de concurso público contribuirão para desafogar o atendimento”, cita.
A nota destaca, ainda, a mudança relativa à regulação de vagas, que entrará em vigor em 60 dias, permitindo o acesso direto de pacientes graves, vítimas de trauma, acidente vascular cerebral e infarto agudo do miocárdio aos hospitais de referência. “A secretaria também irá adquirir um medicamento trombolítico para minimizar as chances de morte em pacientes com infarto”, completa.