Seguindo uma tendência verificada desde 2015, o consumo de água em Bauru foi menor em 2016, na comparação com 2014, 2013 e 2012. Além da crise econômica que forçou os consumidores a reduzir despesas, a falta d’água que secou torneiras no final de 2014 também foi importante para trazer maior conscientização sobre a importância da racionalização do consumo. Esta é a análise realizada pelo DAE, que divulgou números, nesta semana, a pedido do Jornal da Cidade.
Apesar de a cidade ter ganhado 7.642 novas ligações de água nos últimos quatro anos, o consumo de água foi 108,5 mil metros cúbicos menor, totalizando 22,6 milhões de metros cúbicos registrados nos hidrômetros ao longo de 2016 (veja quadro no final).
| Aceituno Jr. |
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| Segundo Eric Fabris, do DAE, consumo deverá voltar a subir |
Presidente do DAE, Eric Fabris pondera que o fenômeno vem sendo verificado em muitas cidades brasileiras, em razão da seca que levou ao racionamento de água em municípios como São Paulo e até mesmo Bauru. “Naquela época, houve uma forte campanha por economia de água e isso levou a uma mudança de hábito da população. Mas é provável que essa conscientização perca força ao longo do tempo”, analisa.
De fato, em 2016, o volume consumido já foi um pouco maior do que o de 2015, quando os hidrômetros haviam medido quase 21,7 milhões de litros.
Fabris destaca, contudo, que os valores referem-se apenas ao consumo que foi faturado pela autarquia.
“Hoje, perdemos mais de 50% da água produzida em Bauru. Há dois anos, este índice era de 48%. E é importante destacar que as perdas não ocorrem apenas em razão de vazamentos, mas também por hidrômetros deficientes”, frisa.
Para tentar contornar o problema, o DAE pretende concluir, até o final deste semestre, um projeto-piloto a ser implantado na região do Núcleo Gasparini, dentro das ações que integram o Plano Diretor de Águas. A partir da troca de 2 mil hidrômetros, a diferença entre o consumo dos imóveis e a medição feita por um macromedidor que controla a entrada de água em todo o bairro será monitorada durante três meses.
“Vamos avaliar se o custeio da troca dos hidrômetros obsoletos é vantajosa, com base no ganho de faturamento obtido a partir desta substituição. Em caso positivo, o plano é expandir, no médio prazo, o projeto-piloto para toda a cidade”, adianta.
Crise
A perda de empregos e a consequente perda de poder aquisitivo da população também pode ter contribuído para a redução no consumo de água de 2012 para cá, segundo o presidente do DAE. Para piorar, em meados de 2015, a conta de água ficou mais cara em razão do reajuste de 35% na tarifa, uma vez que a energia elétrica utilizada pela autarquia e os insumos em geral sofreram aumento no período.
“Mas não acredito que a crise e a elevação da tarifa tenham dado uma contribuição tão significativa para a queda, visto que a conta de água em Bauru ainda é bastante baixa, na comparação com outras cidades”, frisa.
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Reforma da ETA
Dentro das medidas para ampliar a capacidade de produção de água do DAE, o presidente Eric Fabris adiantou que o projeto executivo de reforma da Estação de Tratamento de Água (ETA) já foi concluído e que, agora, o próximo passo é começar a buscar recursos que possam financiar a melhoria das condições do local. “A ETA está há mais de 30 anos sem nenhuma reforma e ainda usa uma tecnologia antiga, que precisa ser atualizada”, frisa.
A obra, contudo, é estimada em R$ 43 milhões. Outros R$ 40 milhões precisariam ser conquistados para construir um segundo ponto de captação de água do rio Batalha, que abastece 38% da cidade.
A saber: a intenção é construir uma adutora de 22 quilômetros de extensão para retirar água do manancial nas imediações do limite do município de Bauru com Avaí, às margens da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, a Bauru-Marília.
“Esta é uma adequação necessária, visto que, na posição em que estamos hoje, já estamos captando água acima da outorga”, frisa. Ainda de acordo com Fabris, o DAE tem planos para perfurar novos poços e, assim, garantir o abastecimento futuro para a população, inclusive nas áreas de proteção ambiental (APAs) que poderão ser liberadas para construções residenciais, conforme projeto do prefeito Clodoaldo Gazzetta.

