Cultura

Tradição da Zona Leste faz a "folia da união"

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Samantha Ciuffa
Egito, Chico Rei, circo e lenda amazônica da Vitória Régia compõem o enredo; a expectativa e contagiar a plateia
Thiago Bertizoli, César Araújo, Francisco Carlos Saes, Gisele Baroni Saes, Ailton Cunha, Junior Izzi e Laine Geraldo só param no barracão para fazer a foto; preparativos seguem em ritmo acelerado

Desenvolver um enredo para o desfile já é desafiador; imagine revisitar e levar para a avenida quatro temáticas de outros carnavais... É com essa tarefa que a Tradição da Zona Leste estará no Sambódromo na segunda-feira (27).

Com 500 integrantes, 13 alas e quatro carros alegóricos, a agremiação volta ao passado com “Enredos maravilhosos que nos levam a viajar por épocas distintas e as histórias vivenciar”. São eles: Egito, Chico Rei, circo (através do palhaço Gira-gira, o saudoso Wilson Nogueira) e lenda da Vitória Régia, que fez parte de um desfile sobre a Amazônia.

“A intenção é homenagear enredos que fizeram sucesso e receberam prêmios, como o Tamborim de Ouro, em diversos quesitos. Esses temas contagiaram a plateia e quem desfilou”, relembra Gisele Baroni Saes, diretora da agremiação.

O desafio não se limita a harmonizar temas tão diferentes. “Fizemos eventos para arrecadar recursos, mas a escola vai pelas próprias pernas. Se a verba viesse dois meses antes, faria toda a diferença”, comenta Chiquinho Saes, marido de Gisele, responsável pela comissão de eventos e um dos fundadores da agremiação.

“A primeira parte da verba veio a menos de 10 dias do Carnaval. Reaproveitamos materiais, mas muita coisa tem que ser nova e tudo é comprado em São Paulo. O valor não tem reajuste há dois anos, só que o preço de tudo aumentou”, lamenta.

“Parabenizo sinceramente todas as escolas e blocos de Bauru. É um pessoal que ama Carnaval, tem talento e faz bonito mesmo com poucos recursos”. Apesar das dificuldades, a escola promete um desfile bastante animado. “Não falta garra, vontade de fazer o melhor e amor pelo Carnaval. Pedimos para as pessoas se divertirem no desfile e isso passa para o público”.

DE MUITOS BAIRROS

Sediada no Mary Dota, a Tradição da Zona Leste surgiu no bairro no período em que não houve desfile no Sambódromo, com membros da Tradição da Bela Vista, sua escola-irmã. “As pessoas vão se apaixonando pela escola e ela abrange a cidade toda, não só a Zona Leste. Vêm pessoas até de bairros distantes e de outros municípios, como Agudos”, destaca Chiquinho.

“Interessante também é a igualdade entre os integrantes. Aqui todo mundo é humilde e se ajuda. É mesmo a escola da união”.

Todos são iguais, só que o coração da escola, a Bateria Furiosa, bate mais forte. Não por acaso: está cheia de gente nova, incluindo o netinho do casal, Luís César, de 6 anos. “Perdemos vários integrantes para outras agremiações e investimos nas crianças, que vieram aprender e surpreenderam. Temos muitos jovens e meninas. O mestre Luidi Lima é muito bom”, afirma Gisele.

“Os ensaios estão sendo incríveis, sempre lota o espaço que usamos ao lado da LBV de pessoas para assistir. Estamos felizes com a receptividade e com esse clima de festa”.

Saiba mais em https://www.facebook.com/GrcesTradicaoDaZonaLeste.

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