| Wilson Dias/Agência Brasil/Arquivo |
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| Edifício-sede do Banco Central do Brasil em Brasília (DF) |
O Banco Central reduziu nessa quarta-feira (22) a taxa de juros básica da economia (Selic) em 0,75 ponto porcentual, para 12,25% ao ano. A decisão, largamente esperada pelo mercado financeiro, fez a taxa retornar ao patamar de dois anos atrás. A inflação controlada e a retomada gradual da atividade econômica foram citadas pelo BC na justificativa do corte, o quarto consecutivo.
Logo após o anúncio, Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Bradesco anunciaram a redução das taxas cobradas ao consumidor. O economista Mauro Schneider, da MCM Consultores Associados, afirmou que, na prática, famílias e empresas já estão tendo acesso a taxas de juros um pouco mais baixas, na esteira das decisões recentes do BC. No entanto, segundo ele, um crédito ainda mais barato dependerá da queda do risco associado às operações.
“Isso vai evoluindo mais lentamente, em função do próprio andamento da economia”, afirmou. “Será preciso haver uma melhora mais generalizada para que o tomador final também tenha juros mais baixos.”
Pesquisa feita pelo Projeções Broadcast mostrava que, de 68 instituições, 67 esperavam redução de 0,75 ponto porcentual e apenas uma projetava corte de 1 ponto na Selic. No entanto, dentro do governo e mesmo entre economistas do setor privado, um corte maior vinha sendo defendido, em função das dificuldades para a aceleração da economia e, principalmente, da inflação mais acomodada.
Na última terça-feira, o presidente Michel Temer destacou o fato de a inflação em janeiro, de 0,38%, ser a menor da história para o mês e disse que a taxa sugere a possibilidade de um índice abaixo de 4,5% - o centro da meta de inflação perseguida pelo BC em 2017. “Entramos em janeiro com 5,35% (de inflação acumulada em 12 meses) e, não sem razão, os juros começaram a cair”, disse Temer.
Nessa quarta-feira (22), algumas horas antes da decisão do Copom, o presidente voltou a dizer, por intermédio do porta-voz, estar satisfeito com o comportamento da inflação. Mais incisivo, o líder do governo no Congresso, senador Romero Jucá (PMDB-RR), defendeu no início do mês corte de 1 ponto da Selic.
Apesar da pressão, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC optou por fixar a Selic em 12,25% ao ano. O colegiado afirmou, no comunicado emitido após a reunião, que “a recuperação da economia pode ser mais (ou menos) demorada e gradual do que a antecipada”. Ao mesmo tempo, disse que “o comportamento da inflação permanece favorável”. O BC destacou, também, o processo de queda da inflação “mais difundido” nos itens da área de serviços.
O Copom voltou a destacar que o cenário externo é incerto, em função de revisões de política econômica em economias centrais, como os EUA. Outra novidade trazida pelo BC foi a avaliação positiva sobre queda nos preços dos alimentos.
