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Fé em Deus e pé na estrada

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Divulgação

Um tênis macio e simples, uma mochila com poucas peças de roupas, algumas barras de cereais, água e um cajado. Isso é tudo que o casal bauruense Dirceu Guiglielmin, 62 anos, e Teresa de Jesus Guiglielmin, 62 anos, terá durante 12 dias ao longo de uma jornada feita a pé. O trajeto é um famoso percurso do Caminho da Fé no Brasil, inspirado no milenar Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Entre os dias 11 e 17 de julho, eles partirão para a cidade de Águas da Prata, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, para dar início à caminhada de 320 quilômetros até o Santuário Nacional de Aparecida.

O percurso inclui passagem por aproximadamente 15 cidades. Em cada parada, eles receberão o carimbo oficial do Caminho da Fé em uma espécie de passaporte, que ao final do trajeto, já em Aparecida, é revertido em um certificado oficial de participação aos peregrinos.

Samantha Ciuffa
Teresa e Dirceu Guiglielmin pretendem fazer o trajeto já conhecido em 12 dias de caminhada
Samantha Ciuffa
‘Passaporte’ concedido, em Águas da Prata, aos peregrinos que realizam o Caminho da Fé

REFLEXÃO

Topógrafo, Dirceu explica que já participa pela 7.ª vez do mesmo percurso. Teresa, empresária administradora dos negócios do marido, participa pela 5.ª vez.

Mas qual o objetivo da peregrinação? Agradecer alguma graça alcançada, promessas? Não. Devotos da Nossa Senhora Aparecida, o casal explica que, além da fé, se aventura mesmo com o objetivo de fugir da rotina frenética do dia a dia e busca paz interior. “É um momento em que vou em busca do meu eu, para voltar renovado para a rotina da cidade”, comenta Dirceu.

“No silêncio do caminho, buscamos a nós mesmos. Também um momento de conversarmos com Deus e com a natureza e de perceber como a vida é simples”, acrescenta Teresa.

Paz que, segundo eles, compensa as bolhas no pé, câimbras e dores pelo corpo. “O pessoal das pousadas nos recepciona tão bem que acordamos renovados em cada dia para seguir mais uma jornada de 30 quilômetros”, detalha Teresa.

Durante os dias de viagem, Dirceu desliga o celular. “O trajeto é todo demarcado com setas amarelas e ícones de Nossa Senhora, não tem como se perder”, lembra.

Frio e dificuldades

Aproximadamente 300 quilômetros do trajeto se resume à travessia da Serra da Mantiqueira, por estradas vicinais, trilhas, bosques e asfalto. Por recomendação, o percurso nunca deve ser feito a sós. “Há alguns anos, um homem era alérgico a abelhas e foi picado durante o trajeto. Ele seguia sozinho e acabou morrendo por falta de socorro”, pontua Dirceu.

Neste ano, o casal decidiu enfrentar o trajeto no inverno. Mesmo assim, nada de roupas tão pesadas. Uma mochila de no máximo seis quilos é tudo que o eles terão, das 7h às 17h.

Nos pontos de parada, pousadas já parceiras da ação, eles terão uma cama quentinha e café da manhã. Cada estadia custará ao final cerca de R$ 1.200,00 para cada um.

“Meu sonho mesmo é Compostela, mas lá ficaria bem mais caro, quem sabe um dia”, finaliza Dirceu.

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