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Carnaval acabou: inicia-se o ano novo

José Marta Filho
| Tempo de leitura: 3 min

Todos já falamos ou ouvimos a frase: “No Brasil tudo começa depois do Carnaval”. Pura verdade, tanto que as empresas fogem do período pré-carnaval para lançar qualquer produto; em janeiro é um grande tiro no pé, pois as pessoas saem de férias e não vão comprar a novidade. Deixam prá depois do carnaval! Até o site Sensacionalista anuncia, de maneira jocosa e não verdadeira (http://www.sensacionalista.com.br/2017/02/15/liminar-transfere-novo-fim-do-mundo-para-depois-do-carnaval/), que um astrônomo russo disse que um asteroide iria provocar o fim do mundo antes do carnaval; a teoria ganhou força e uma liminar o transferiu para depois do Carnaval. Ainda bem que a notícia era falsa!


Vejam, a título de exemplificação, algumas novidades da indústria automobilística que, segundo o site http://carros.ig.com.br/2017-02-23/lancamentos-marco.html, só depois do Carnaval lançarão: - a nova geração dos Volkswagen Gol e Voyage. Segundo fontes ligadas à fabricante alemã, o hatch e o sedã começam a ser produzidos logo após o Carnaval; - a versão aventureira do Ford Ka, que é uma aposta mais segura da marca para manter o Ka relevante, transformando o compacto com a adição de detalhes de plástico preto nas laterais.


O Honda WR-V como tentativa da marca japonesa em capitalizar mais um pouco sobre a moda dos SUVs. A nova geração da Nissan Frontier; a picape terá um lançamento fragmentado, começando pela versão topo de linha em março, importada do México. O Toyota Corolla que passará a contar com o novo design que deixará o sedã médio mais agradável; uma novidade importante será controle eletrônico de estabilidade,


A linha do SUV XC90 da Volvo, com a oferta da configuração T8, o carro mais caro dos lançamentos de março. Nessa versão, o utilitário passa a utilizar um conjunto híbrido, que combina um motor a gasolina com outro elétrico.


Sem dúvida, a alegria do Carnaval foi grande, com enredos espetaculares como: “A vitória vem da luta, a luta vem da força e a força da união”, “Aparecida, a Rainha do Brasil. 300 anos de amor e fé no coração do povo brasileiro”, “Mãe África conta a sua história: Do berço sagrado da humanidade à abençoada terra do grande Zimbabwe”; “Com as mãos e a garra de um povo sonhador, surge o contraste de uma nova metrópole - Sampa, lugar de sonhos, oportunidades e esperança”; “Meu palco é a rua”; “Amor com amor se paga. Uma história animal”; “Salvador, cidade da Bahia, caldeirão de raças, cultura, fé e alegria”; “Paz. O império da nova era”; “Core e tuba. A ópera de todos os povos, terra de todas as gentes, Curitiba de todos os sonhos”; “Convivium. Sente-se à mesa e saboreie” e “Zé do Brasil, um nome e muitas histórias”.


Este tema bastaria para levar à avenida nossas diferentes personalidades com toda sua força, por um ano inteiro contida, numa viagem através do tempo, relembrando os ‘Zés’ que fizeram história e que viraram até ditados populares brasileiros.


Mas, agora o Carnaval - que para alguns parece defeito e, para outros, encanto - acabou. “Ved de quán poco valor Son las cosas tras que andamos Y corremos...”, dizia Jorge Manrique, no século XV. O antropólogo Roberto Da Matta é autor de interessante análise sobre esse evento brasileiro, “Carnavais, Malandros e Heróis”.


Gostamos da ilusão, mas antes de nos prepararmos para o próximo, precisamos nos lembrar que com o fim deste carnaval acabou-se o que era doce, acabou-se a ilusão outra vez. Não se trata de moldar o futuro, nem de fantasiar amanhãs que cantam. Chegou a hora de deixar de sonhar e a acabar com as inseguranças da crise, do desemprego, da violência crescente, e da distância entre o sistema político e sociedade.


A atmosfera política decaiu de tal maneira que bloqueou as saídas. O Carnaval deu um fôlego, mas agora acabou. É necessária uma implosão para abrir horizontes nesse início do ano novo.

O autor é engenheiro e doutor pela Unesp. Diretor do Instituto Marta Filho Engenharia e Avaliações – IMFea

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