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Sambódromo: 2º dia de desfiles fecha o Carnaval da superação

Aline Mendes e Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

Amor toma conta do Sambódromo 

Blocos abrem a segunda e última noite de desfiles falando de várias nuances do sentimento arrebatador e, assim, conquistam também o público

Fotos: Samantha Ciuffa
Mariana Cosmo, grávida de Joaquim Gabriel, foi para a avenida com bloco Estrela do Samba
Dona Irene (abaixo) e com toda a família Cosmo (acima): missão de manter o amor pelo Carnaval no bloco Estrela do Samba
Fotos: Malavolta Jr.
Levando o estandarte do bloco Império Lagoa do Sapo, Vanessa Botim da Silva deu seu recado
No Bloco Unidos do Jardim Petrópolis, Juquinha de Sampa: animação total; nessa quarta-feira (1), confira cobertura sobre as escolas 

A superação soube desfilar de mãos dadas com a emoção nas duas noites de festa no Sambódromo. Tudo na base do amor, intenso e festivo, ao mais brasileiro dos ritmos.

Após passagem da Realeza do Samba, o primeiro grupo na segunda e última noite foi o bloco originalidade Unidos do Jardim Petrópolis com o enredo “O sonho de um sambista”. Entre os 95 passistas, o pandeirista Juquinha de Sampa se destacou pela animação.

“O Carnaval é alegria e, para nós, também raça e determinação. O sonho de todo sambista é ter uma turma maravilhosa como essa. Agradeço ao Jardim Petrópolis que me acolheu há 10 anos. Meu coração é desse bloco, com muito orgulho”.

POR FALAR NISSO...

Não por acaso se diz que não há amor maior que o de mãe... Com elas, o bloco da categoria especial Estrela do Samba de Tibiriçá abriu seu desfile que apresentou o enredo “Terra do amor – Amor, amor e eterno amor”.

Grávida de 8 meses, Mariana Cosmo levou Joaquim Gabriel para o Carnaval, mesmo antes dele nascer. “Estou cansada, mas muito feliz. A família toda é envolvida e desde pequenos todos vão pro samba!”. Ao lado dela, Edneia das Neves desfilava com os filhos vestidos de anjo, Miguel, de 7 meses, e Ana, com 3 anos. 

“Vale a pena ensinar o amor também pelo Carnaval”. O tema é uma homenagem ao sentimento, seja entre amigos, familiares e casais ou por essa grande festa. Os versos “Nossa família hospitaleira; bauruense guerreira, te acolhe então; o samba é nossa paixão, independente da colocação” fizeram o público que já lotava o Sambódromo cantar. 

“Realmente não importa ganhar ou ficar em último, a gente ama o Carnaval”, disse a presidente do bloco, Dulcineia Cosmo.

O desfile é de superação da tristeza em nome do amor, pois o patriarca da família Cosmo, seu Baté, fundador do Estrela do Samba de Tibiriçá, morreu há 7 meses, aos 87 anos. O último carro trazia, além de uma foto dele, vários familiares e sua esposa, dona Irene Balbino Cosmo, com 80 anos. 

“Ele dizia que quando morresse era pra gente seguir em frente e é o que estamos fazendo, até quando Deus permitir”, disse muito emocionada pelo desfile, que levou para a avenida 250 integrantes. O bloco especial Império da Lagoa do Sapo com o enredo “Vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é Carnaval” também falou de amor, de beijos, etc. 

O desfile conquistou Vanessa Botim da Silva, que levou o estardarte do bloco. “Vim de Ourinhos prestigiar a festa e estou encantada!”

Mas no quesito paixão, quem mais impressionou foi Edson Calos Arcanjo, conhecido como Chulapa, que pela primeira vez em seus 42 anos desfilou com um grupo carnavalesco. 

“Estou emocionado. Fui convidado pelos amigos para desfilar na harmonia e resolvi ajudar a empurrar o carro alegórico com as crianças”. 

Mesmo com essa missão, fez uma evolução de tirar o chapéu. E assim foi na pista: superação apesar das dificuldades. Evolução em nome do samba.

‘Unidos da multidão’ faz a festa

A exemplo da primeira noite, desfile de ontem e madrugada de hoje novamente tem grande público no Sambódromo e confirma sucesso da folia

Samantha Ciuffa
Movimento na rua dos Abacateiros, paralela ao Sambódromo, onde ficou o comércio ambulante: intensidade nesta última noite

O público compareceu em grande número ao Sambódromo na segunda noite de desfiles do Carnaval bauruense que avançou a madrugada desta terça-feira (28). Teve gente que já tinha ido no sábado (25), e nessa segunda-feira (27) retornou. É o caso do pintor Leandro Gueiros, de 29 anos, que estava com um grupo de amigos.

“Eu venho todo ano nos desfiles, e desta vez está muito bom, nota dez mesmo. Está bem organizado, o Carnaval em Bauru está melhorando de uns tempos para cá”, afirma Gueiros, que é morador do Jardim Carolina. A auxiliar de escritório Thais Helena Cardoso, de 31 anos, também fazia parte do grupo, e aprovou os desfiles de 2017.

“A gente vem em um grupo grande de amigos, e é bom, nos divertimos bastante aqui”, comenta. Eles são torcedores da escola Águia de Ouro, que já havia desfilado no sábado. “Mesmo assim viemos novamente, desta vez para assistir às demais escolas e blocos”, cita Gueiros.

Se muitos vão para torcer para uma agremiação, outros querem apenas prestigiar o espetáculo. O promotor de vendas Pablo Ricardo de Oliveira, de 38 anos, levou as filhas Lívia e Luísa, de 11 e 8 anos respectivamente.

“Estou gostando. Vim por causa delas, desde o período da tarde elas estavam pedindo para vir ao Sambódromo à noite. No ano passado a gente já tinha ido, e esse ano está melhor porque o tempo está bom, sem chuva”, destaca Oliveira. “Estou achando legal. O que eu mais gosto são os carros alegóricos”, pontua a caçula Luísa.

Ambulantes

Os vendedores ambulantes trabalharam na rua dos Abacateiros, paralela ao Sambódromo, e não mais na rua que fica dentro do local. O procedimentos já foi adotado há alguns anos. O movimento era bom, mas nem todos os comerciantes estavam satisfeitos. 

“Eu gosto de Carnaval, e é uma época boa para a gente. A venda está razoável, poderia ser um pouco melhor. Acho que depois que saímos lá de dentro (do Sambódromo) e viemos para a rua, a venda da maioria caiu”, aponta Ana Maria Silva, que comercializa churros.

NÚMEROS

A Secretaria Municipal de Cultura estimou aproximadamente 15 mil pessoas no Sambódromo em cada dia de desfile, totalizando portanto cerca de 30 mil presentes na soma das duas datas. Já a Polícia Militar trabalha com a estimativa de 10 mil pessoas em cada dia, o que totaliza 20 mil na soma. A entrada foi gratuita.

Samantha Ciuffa
‘ACADÊMICOS DA ARQUIBANCADA’ - Quem esteve no Sambódromo, sábado (25) e nessa segunda (27), acompanhou uma festa democrática

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