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Sambódromo já deixa saudade em Bauru

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 6 min

Última colocada no Carnaval do ano passado, a escola de samba sediada no Parque Jaraguá surpreendeu com o enredo “O Azulão vira jogo e vira o jogo, a sorte está lançada” no desfile de segunda-feira no Sambódromo.

Desde a comissão de frente, que remetia ao baralho, a agremiação arrancou aplausos da arquibancada. O desfile mostrou dos jogos místicos e cartas ciganas ao xadrez, cubo mágico, cruzadinha e jogo da velha, incluindo os jogos olímpicos, com alegorias, fantasias, samba, evolução e harmonia que superaram – e muito – o Carnaval do Azulão do Morro em 2016.

Para a presidente e porta-bandeira Cidinha Caleda, é fundamental manter a agremiação, apesar de todas as dificuldades. “Nosso bairro é marginalizado e o Azulão mostra outro lado da nossa comunidade, leva algo bom”.

O segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira se apresentou de apostador e roleta, com passos elaborados para transmitir tal ideia. “Tenho 30 anos de Carnaval , dois como mestre-sala e a primeira vez com Thainá Ferreira. Ensaiamos dois meses e a parceria deu certo. É uma responsabilidade e um imenso prazer”, disse Gilson Jacinto.

A animação, os passos e o envolvimentos, tanto dos destaques quanto dos cerca de 450 foliões, foi contagiante. Entre eles, o rei de bateria Richard Henrique, que mostrou muito samba no pé. “Treinei demais, vi vários vídeos e a emoção é enorme; uma honra!”.

Quem também brilhou foi Cristiane Ludgério. Estreante como carnavalesca, ela cuidou de todo o desfile, sambou no salto e até ajudou a empurrar carro alegórico. “Também me diverti, me dediquei e apostei todas as fichas. Foi além das expectativas, o pessoal trabalhou muito e deu certo”.

FALA DIRIGENTE

“A gente foi bem, conseguiu concretizar o que foi planejado, superou as expectativas, e foi contagiante a energia com o público. Demos um bom xeque-mate”, brincou a presidente Cidinha (do Azulão) Caleda.

Zona Leste viajou por quatro enredos com muita cores

Malavolta Jr.
Bateria da Tradição da Zona Leste se destacou na avenida

O desafio da Tradição da Zona Leste de unir quatro histórias bem diferentes em um mesmo desfile com “Enredos maravilhosos que nos levam a viajar por épocas distintas e as histórias vivenciar” resultou em uma festa muito colorida, que agradou a arquibancada.

Com 500 foliões, a escola homenageou temas de sucesso em sua trajetória e passeou pelo Egito, a história dos negros, o circo (através do palhaço Gira-gira, o saudoso Wilson Nogueira) e a lenda da Vitória Régia, que fez parte de um desfile sobre a Amazônia.

Entre muitos pontos marcantes está a bateria Furiosa, com 60 ritmistas, incluindo várias crianças. “Fiquei muito feliz com o resultado. Sou adepto de colocar a criançada na bateria e fazemos um trabalho legal com elas, principalmente no tamborim. Infelizmente os problemas com o som nos impediram de fazer uma apresentação ainda melhor”, lamenta o mestre de bateria Luidi Lima.

Por falar em crianças, as que assistiam ao desfile ficaram encantadas com a ala dos palhaços – um deles fez acrobacias incríveis – e com a presença do Palhaço Faísca no carro alegórico. “Participei do enredo em homenagem ao Gira-gira e fiz questão de voltar. Eu adoro o Carnaval porque é uma festa popular e amei desfilar com a Zona Leste”.

De fato, a agremiação sediada no Mary Dota, mas que reúne pessoas da cidade toda, tem clima de descontração e muitas famílias. Tanto que o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Denise e Denilson Santos são irmãos. “Às vezes tem alguma desavença, mas o lado bom da sintonia entre a gente supera; só pelo olhar já se entende. É uma responsabilidade e uma grande emoção; por isso, ensaiamos muito”, contou ela.

FALA DIRIGENTE

“Fizemos um desfile maravilhoso, dentro do que planejamos, contando na avenida um bom enredo, com as alas e carros alegóricos. A escola cresceu bastante do ano passado para cá”, afirmou Chiquinho Saes, presidente da Comissão de Eventos da Tradição.

Coroa Imperial canta samba empolgante sobre indígena

Samantha Ciuffa
Lenda indígena de Anahí foi cantada pela Coroa Imperial da Grande Cidade

Com a intenção de apresentar ao público uma bela lenda da Amazônia ainda pouco conhecida, a Coroa Imperial da Grande Cidade desfilou o enredo “Sou índia guerreira, lançada à fogueira, eu sou Anahí”.

Para contar essa história, a agremiação destacou não só as belezas naturais da floresta, mas também a mistura de culturas. “Anahí cantava divinamente e toda a floresta parava para ouvi-la. Em uma luta para defender seu povo, ela matou um soldado espanhol e foi acusada de bruxaria, sendo condenada à fogueira. Diz a lenda que pássaros dançavam em volta dela enquanto queimava e que neste lugar nasceu uma linda flor”, explicou o carnavalesco Ademir de Oliveira.

Todos os detalhes remetiam a essa lenda. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Bruno Cândido e Sílvia Afonso, representavam o pássaro e a flor. “Estamos emocionados. Ensaiamos 6 meses para ter entrosamento e fazer uma coreografia especial. Valeu a pena”, afirmou ela. “Dos ensaios à apresentação, tudo foi intenso e maravilhoso”, completou ele.

Entre os destaques, a rainha de bateria Thaiza Costa, brilhou e sambou bonito. “A emoção é indescritível. Não tem canseira, nem nada, só a vibração do povo”. Emocionada também estava Regiane Nunes, que desfilou com a filha Maria Vitória, de 11 anos. “Dá até vontade de chorar! Meu filho também toca na bateria. A Coroa é nossa família e a gente ama Carnaval”.

Outro empolgado era Jeferson Vieira, na ala das vitórias-régias. Ele não só cantou, sambou e fez os gestos do samba-enredo do início à dispersão, como também levou sete amigos para o desfile. “A energia do Carnaval faz isso com a gente”. Aliás, o samba de Léo do Rasi mexeu com toda a plateia.

FALA DIRIGENTE

“Não temos tantas expectativas, pois pra nós o mais importante é levar alegria para o povo bauruense e se divertir. Desde que entramos fomos aplaudidos e esse é o melhor prêmio. Fizemos um Carnaval dentro das nossas possibilidades, mesmo com a demora em receber a verba. Pra gente isso faz diferença”, disse Olívia Arantes de Souza, diretora da Coroa Imperial.

Renan Casal
Bateria do bloco Primavera conquistou o público; na imagem, a rainha Cristiane Ludgério 

Bloco estreante surge de projeto social

Após a apresentação de três blocos (mostrados nessa terça pelo JC) e três escolas de samba, o estreante na categoria especial, o bloco Primavera, apresentou uma bateria bem preparada, sob o comando do presidente e músico Adílio Nascimento. “O bloco surgiu de um projeto social de música no conjunto habitacional Primavera, próximo ao Jardim Redentor. Ensinamos de crianças a partir de 7 anos a jovens de 15, que se juntaram aos adultos”, comentou o mestre de bateria e idealizador do grupo.

Com cerca de 120 integrantes, o bloco cantou o enredo “Primavera” e conquistou com animação e um samba contagiante o público que permaneceu até o fim no Sambódromo. Depois, foi a vez do bloco originalidade Amigos da Tuka que fechou o evento, logo após às 4 horas da madrugando, com a temática “Anos 80”.

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