No último dia 21 retornou à Pátria Espiritual o Mestre Professor Antônio João Fraga Padilha. Um homem valoroso que dedicou a sua vida ao ensino e ao estudo. Grande conhecedor e estudioso incansável de diversas área da cultura. Pesquisador, escritor, educador, poliglota, profundo conhecedor de religiões ocidentais e orientais, da egiptologia, da parapsicologia, da História do Brasil e do Mundo. Apreciador da boa literatura e da arte. Grande admirador de diversos autores, dentre vários, em especial Monteiro Lobato, que sempre citava como um exemplo de brasileiro. Era capaz até de descrever, com impressionantes detalhes, o perfil psicológico de diversas personalidades da história e das artes, tamanho era o aprofundamento de suas pesquisas e a capacidade de interpretar as informações que lhe caiam às mãos.
Em seus livros é comum verificar as diversas anotações e considerações que ele fazia com relação ao tema, sempre acrescentando e até colaborando com o autor, muitas vezes apontando algum “cochilo” com relação a alguma informação. Anotações estas sempre feitas pedagogicamente com lápis, e nunca faltando a data completa quando das intervenções. Acrescentando informações com brilhantismo sobre qualquer tema.
Profundo conhecedor dentre vários idiomas, da Língua Internacional, o Esperanto. Tornou-se uma referência para os esperantistas com relação ao correto aprendizado da língua. Por ter começado o estudo do Esperanto em 1948, chegou a fazer parte do então Grupo Esperantista de Bauru, fundado em 1946, que foi desativado em 1956. Posteriormente foi Conselheiro da 1ª Diretoria da atual Sociedade Bauruense de Esperanto, fundada em 1965.
Em 1957 conheceu uma outra grande personalidade da área cultural de Bauru, a Professora Celina Lourdes Alves Neves, que o convidou a lecionar Esperanto na Escola Progresso. Trabalhou naquela instituição até o ano de 2000, quando do falecimento da Professora Celina e da desativação da escola.
Apesar disso, continuou a lecionar a Língua Internacional em sua residência como fez a até bem pouco tempo. Era um homem que se incomodava em viver num País onde a educação e a cultura têm sido desprezadas e esquecidas ao longo do tempo. Onde dá-se mais valor ao lazer do que ao estudo e a cultura. Onde dá-se muita atenção à televisão, que tem um grande potencial para disseminar a educação e a verdadeira cultura de alto nível, mas que infelizmente põe em nossas casas, salvo exceções, programas inócuos.
Era um homem inquieto, dinâmico com uma extrema vontade de saber. Com uma memória prodigiosa tinha uma capacidade imensa de guardar datas, fatos históricos, momentos marcantes. Normalmente se referia às pessoas chamando-as pelo nome completo, e chegava a se incomodar, quando momentaneamente omitia parte do nome, o que era muito raro, para imediatamente depois fazer a devida correção.
Dificilmente, tenho certeza que muitos concordarão comigo, conseguiremos encontrar alguém com uma bagagem intelectual tão grande quanto à do ilustre Mestre Antonio João. Para nós, amigos e alunos, ficam as lições, conselhos e os exemplos de uma pessoa estimada de personalidade forte e admirável. E para sua família, onde era chamado carinhosamente de Toninho, fica a saudade de um ente muito querido. Com certeza, nesta jornada aqui na Terra o Mestre conquistou sua merecida Cadeira na Universidade do Além.