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Dobra procura pelo Albergue Noturno

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Douglas Reis
Pela segunda vez no Albergue, Rubens Albuquerque de Carvalho nunca havia visto a entidade tão cheia no período do calor 
Francine Tamos: "A maioria que vem aqui alega que está à procura de trabalho e não tem onde ficar"

Em um ano e meio, a procura pelo Albergue Noturno de Bauru no verão dobrou. O número de atendimentos nos meses mais quentes, como janeiro, fevereiro e março, subiu de 25 para 50, em média, atingindo assim o limite máximo de acolhimento da entidade, mantida pelo Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac).

Segundo a coordenadora social do Albergue, Francine Tamos, o aumento teria sido motivado pelo desemprego. "A maioria que vem aqui alega que está à procura de trabalho e não tem onde ficar. Muitos, também, buscam tratamento para dependentes químicos", diz Francine, frisando que o percentual maior durante o verão surpreendeu.

"Os quartos são coletivos e quentes. Por isso, sempre tivemos baixa nestas épocas. Mas, há cerca de um ano e meio, essa realidade mudou com frequentes aumentos de demandas, inclusive no calor. O número de atendimentos, porém, costumava se elevar somente em junho e julho, época de frio, e também em dias de chuva", detalha.

Na noite da última segunda, quando Bauru registrou temperaturas elevadas, o Albergue Noturno recebeu 47 pessoas e, na noite de quinta - embora o tempo estivesse mais ameno em razão de pancadas de chuva que atingiram a cidade -, 46. Deste total, 32 já estavam instaladas na entidade, que pode oferecer tempo de permanência de até quatro meses.

"Dos 33 cadastros efetuados hoje (ontem), cinco pessoas buscam tratamento de saúde, oito estão à procura de trabalho e 20 esperam conseguir vaga em clínicas de dependência química. Estes, aliás, também almejam emprego. Dos extras, cuja permanência no abrigo é por uma noite, 90% querem vagas de emprego", elenca a coordenadora.

É o caso do pedreiro Adair José Santos da Silva, 33 anos. Ele é de Ilhéus (BA), mas vive em Bauru há oito meses, onde atuava em uma obra da construção civil. Há 60 dias, sofreu um acidente de trabalho e precisou ser submetido a cirurgia. Sem condições de arcar com o aluguel da casa, procurou auxílio no Albergue Noturno.

Desempregado, agora, ele se recupera para tentar se inserir novamente no mercado de trabalho. "Assim como eu, a maioria com quem eu converso aqui está na cidade à procura de emprego", conta Adair. 

O técnico em informática Rubens Jaime Albuquerque de Carvalho, 41, está instalado na entidade há 15 dias em busca de tratamento para dependentes químicos. Já é a segunda vez que ele procura o serviço.

Na primeira, há um ano, pediu acolhimento enquanto tentava trabalho. Ele observa que nunca havia visto a casa tão cheia no período do calor. "Era só no frio mesmo. Ficando na rua ninguém consegue ter estrutura para arrumar emprego", justifica.

NO LIMITE

Segundo Francine, o Albergue Noturno recebe recursos das três esferas de governo: municipal, estadual e federal. Embora esteja há três anos sem reajuste dos repasses, a entidade tem conseguido atender a demanda após adotar algumas estratégias.

"Implicou no estreitamento do orçamento e, por isso, tomamos medidas de economia preventivamente, porque, antes, registrávamos picos de gastos, mas agora a realidade mudou e trabalhamos no limite todos os meses", pontua.

AJUDA

Ao saber que o Albergue Noturno utiliza de quatro a cinco pacotes (de 5 quilos) de arroz por dia para atender a demanda, o proprietário de uma empresa, que preferiu não se identificar, iniciou uma campanha de arrecadação de alimentos não perecíveis e produtos de higiene.

"Toda ajuda é bem-vinda", destaca Francine Tamos. Quem se interessar em fazer doações, pode se dirigir até a entidade, que fica na quadra 7 da rua Inconfidência, próximo ao Terminal Rodoviário. O telefone para contato é o (14) 3222-4881.

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