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Dia Internacional de Luta das Mulheres

Iolanda Toshie Ide
| Tempo de leitura: 2 min

Não vamos deixar que nos manipulem, com flores e perfumes, para atender a interesses comerciais: esse dia surgiu da luta das mulheres. Nós inventamos a agricultura e resistimos à introdução dos venenos em nossas lavouras. Continuamos resistindo. Não sem razão, Berta Cáceres, índia Lenca hondurenha, no dia 3 de março de 2016, recebeu o Prêmio Goldman pela defesa da natureza, contra o envenenamento pelas mineradoras. Resistimos à "revolução verde" que nada mais foi que a imposição de fertilizantes químicos e agrotóxicos na produção de alimentos. Continuamos resistindo à tentativa de imposição do mercado de carbono com o qual tentam nos enganar. Nossos inimigos continuam investindo contra nós: um ano após receber o merecido prêmio, Berta Cáceres foi brutalmente assassinada, com participação do governo de Honduras.

Há um recrudescimento do machismo, mas nós estamos resistindo. Saímos na frente contra Eduardo Cunha, ícone da misoginia e do autoritarismo. Apesar de termos conquistado o direito ao voto antes da França, Argentina, Portugal e Suíça, em 2016, 54 milhões de votos foram roubados da primeira Mulher Presidenta do Brasil. Nunca será demais afirmar que o golpe contra Dilma Rousseff foi patriarcal. Resistiremos. Na passagem deste Ano Novo, em Campinas, foi cometido um massacre feminicida contra Isamara e mais oito mulheres de sua família. O assassino, que não agiu sozinho, atirou para matar as mulheres. Em carta e mensagens deixadas, deixou claro que pretendia matar mulheres. Abusador do próprio filho, não quis admitir o afastamento determinado pelo judiciário. É bom lembrar que Isamara fizera 5 boletins de ocorrência sobre as ameaças que vinha sofrendo. Por que o agressor não foi impedido? Porque polícia e judiciário são altamente patriarcais. Nesse 8 de Março, continuaremos denunciando a omissão e conivência das autoridades constituídas. Não foi crime passional (quem ama não mata), foi feminicídio, crime hediondo, não afiançável (Lei 13.140/2015). Não foi cometido sozinho: há outros envolvidos. Machismo mata, mas nós queremos viver! Basta de feminicídio!

Temer, o ilegítimo, usurpou o lugar da Primeira Presidenta do Brasil, compôs um ministério só de homens brancos, e continua usurpando direitos da população, principalmente das mulheres. Com a intenção de privatizar a Previdência em favor dos bancos, vende a versão de que a Previdência é deficitária em R$149,7 bilhões, quando , só em 2015, teve um superávit de R$ 24 bilhões. Investe contra direitos de trabalhadoras/es, tentando inviabilizar a aposentadoria, principalmente das mulheres. Continuamos em luta por nenhum direito a menos: Aposentadoria fica, Temer sai!

Marchamos pela vida das mulheres!

 

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