Regional

Adolescente corre contra o tempo em busca de uma nova medula

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Pederneiras - Internada há mais de trinta dias no Hospital Amaral Carvalho (HAC) de Jaú, Eloyza Santis de Campos, 16 anos, moradora de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), que foi diagnosticada em setembro de 2014 com uma aplasia medular, corre contra o tempo em busca de um doador compatível para que possa voltar a sonhar com uma vida normal.

A doença da adolescente é caracterizada por uma alteração no funcionamento da medula óssea que leva à produção insuficiente de hemácias, plaquetas e leucócitos - células que compõem o sangue. João Kamimura, ex-padrasto de Eloyza, conta que, em razão da baixa imunidade, ela acaba ficando mais suscetível a infecções e apresenta quadros febris contantes.

Segundo ele, a ex-enteada começou a apresentar os primeiros sintomas da doença em junho de 2014. "Começou a aparecer umas manchinhas roxas no corpo dela, nas pernas e braços, e fomos fazer exame de sangue", diz. Como ela havia deixado de comer carne vermelha algumas semanas antes, a família achou que poderia ser falta de algum nutriente.

Os exames demonstraram que a adolescente apresentava quantidade de plaquetas no sangue bem abaixo no normal. "Ela estava correndo risco, naquele momento, de já ter uma hemorragia com um simples tirar de cutícula", revela Kamimura. Em setembro, Eloyza foi diagnostica pela equipe médica do HAC com aplasia medular e já deu início ao tratamento.

Em 2015, ela recebeu transplante de medula do pai biológico. "Em agosto de 2015, veio a notícia de que a medula estava funcionando e estava tudo bem. Só que, em meados de dezembro, foi feita nova biópsia do osso da coluna dela aonde foi constatado que a medula já tinha perdido um pouco de força e estava trabalhando com 75% só da capacidade", diz.

PIORA

O quadro de saúde da adolescente, de acordo com o ex-padrasto, se agravou em janeiro de 2016. "Ela fazia alguns exames de rotina e começou a passar mal, com muita febre e ânsia de vômito. Ela foi internada no final de janeiro no Amaral Carvalho e, depois dessa internação, começou uma luta muito mais difícil do que a gente já tinha enfrentado", relata.

Além de hemorragias, Eloyza passou a sofrer com infecções, inclusive causadas por fungos. "De sábado (4) à tarde até agora, ela não teve mais febre, mas estava com quadro de febre constante e o médico até cogitou internar ela na UTI (Unidade de Terapia Intensiva)", afirma. Segundo Kamimura, o transplante de medula é a única chance que ela tem de cura.

APELO

O ex-padrasto faz um apelo para que as pessoas procurem o hemonúcleo mais próximo de casa e façam o cadastro no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). "A gente está precisando achar um doador de medula óssea. Graças a Deus, as pessoas da região têm comparecido ao Amaral, têm feito os testes, têm doado o sangue, mas ainda há muita falta de informação a respeito da medula", lamenta.

"É coisa de dez minutos. A pessoa só preenche uma ficha, tira uma ampola de sangue e pronto. No Brasil é complicado porque demora 90 dias até cair no Redome. A gente está correndo contra o tempo".

Como ajudar

Interessados em ajudar devem se inscrever no Redome em qualquer hemonúcleo. Em Bauru, o cadastro é feito no Hospital de Base, na rua Monsenhor Claro, 8-88, de segunda a sexta-feira, das 7h às 11h30 e das 13h às 16h. É preciso levar RG e CPF, ter entre 18 e 55 anos, estar alimentado, ter boa saúde e não ter feito tratamento com quimioterapia. A amostra cedida para o banco é de cinco mililitros de sangue. A coleta de medula para transplante é feita somente se um receptor compatível for localizado.

 

Comentários

Comentários