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| Delegada-chefe da PF de Bauru, Karen Dunder: "Aumenta o desemprego e a criminalidade" |
O aumento do desemprego e também das fiscalizações realizadas por instituições federais fizeram com que o número de inquéritos instaurados na Delegacia de Polícia Federal (DPF) de Bauru crescesse 26% em apenas dois anos. Segundo dados da unidade, foram 722 investigações iniciadas no ano passado, ante a 572 ao longo de 2014. Em 2015, foram instaurados 630 inquéritos.
Delegada-chefe da DPF, Karen Dunder explica que a crise econômica, que se agravou ao longo do período, extinguindo milhares de vagas de trabalho, teve impacto direto nos resultados. "Com o aumento do desemprego, a criminalidade aumenta sensivelmente. Talvez em um ato de desespero, as pessoas acabam se sujeitando a crimes".
Entre os tipos de delitos que mais cresceram, ela cita, estão o contrabando, o descaminho e o tráfico de drogas. Além do aspecto econômico, no entanto, Karen cita a intensificação das ações de fiscalização realizadas por instituições como os Correios, a Caixa Econômica Federal, o Ministério Público Federal (MPF), a Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
"A Caixa e o MPF, por exemplo, deram início a levantamentos específicos sobre fraudes em programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida. O INSS também passou a fazer uma análise mais criteriosa sobre os benefícios, quando passou a descobrir um volume maior de fraudes. E são levantamentos que dão origem a inquéritos, que são conduzidos pela Polícia Federal", detalha.
FLAGRANTES
Assim como o volume de inquéritos instaurados, a DPF também registrou crescimento no número de flagrantes em 2016. Foram 73 naquele ano, uma alta de 82% na comparação com 2014, quando a unidade contabilizou 40 flagrantes.
Na avaliação da delegada, entre todas as ocorrências, as prisões por porte e posse ilegal de armas são as que tiveram maior destaque, em razão do aumento da internacionalização do tráfico deste tipo de equipamento. "Foram várias apreensões de armamentos e munições no ano passado, o que está se repetindo neste ano em virtude de um possível aumento de demanda no câmbio negro. Em muitos casos, são armamentos pesados, como fuzis, algo que nos preocupa", detalha, salientando que a região é rota deste tipo de comércio clandestino.
"Bauru não é destino. Por uma questão logística, estas armas acabam passando por aqui e, quando recolhidas, o inquérito fica sob responsabilidade da delegacia de Polícia Federal local", completa.
