Está sendo convocada para 13/3 manifestação em frente Aos quarteis, que têm por objetivo incentivar o intervencionismo ou, melhor explicando, 'a volta da ditadura militar' e isto convenientemente não é explicado, confundindo este movimento com as manifestações democráticas e bem sucedidas de 2016, do Fora Dilma, Fora Lula e contra a corrupção.
Em primeiro lugar temos que explicar para quem tem menos que 55 anos e que não viveu como adulto o regime militar, que brasileiros como o líder inicial da chamada revolução, Marechal Castelo Branco, tinham o objetivo implantar um regime de exceção, com objetivo de acabar com a corrupção e com a subversão da ordem e da lei e, depois de saneados os problemas, retornar a democracia plena.
Isto não aconteceu devido à morte de Castelo em 67, em acidente aéreo muito suspeito, e a tomada do poder pelos linha dura, dos que não acreditavam na democracia e preferiam se perpetuar no poder. Como os generais Costa e Silva e Médici (2º. e 3º. presidentes militares), gen. Mourão Filho, o brigadeiro Marcio Souza Melo, almirante Rademaker e outros. Aí os dois anos previstos acabaram em mais de 20 de ferrenha ditadura.
Depois, ainda existiram desta mesma linha o gen. Ednardo Dávila (2º Exército), o ministro do exército Silvio Frota, até Newton Cruz e o atentado do Rio Centro, onde pessoas seriam mortas por oficiais do exército para culpar 'terroristas'.
Os resultados destes linha dura a partir do governo Costa e Silva foram o AI 5 e, com ele, o fechamento do Congresso, a censura total à imprensa, a prisões sem julgamento, grupos de extermínio e a tortura como regra, praticada por gente como o coronel Brilhante Ustra e o delegado Fleury.
A própria instituição "exército brasileiro" viveu momentos de descrédito na década de 80 e 90, fazendo com que os oficiais, em sua maioria de democratas e profissionais, mantivessem distância da política até hoje, pela experiência danosa vivida de 68 a 86. Hoje, a maioria consciente dos próprios oficiais é contra qualquer "intervenção".
Outro fato importante a ressaltar é que à sombra dos militares surgiu uma elite civil corrompida, nascida sem voto e sem transparência, com nomes como José Sarney, Collor de Mello, Paulo Maluf, Mario Andreazza, Delfim Neto, Antônio Carlos Magalhães, vulgo Malvadeza, e muitos outros além de escândalos como da Coroa Brastel, da construção da ponte Rio-Niterói, Itaipu e o crescimento de empreiteiras como Camargo Correia, Andrade Gutierrez, Norberto Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão e Mendes Jr. e muitas outras.
Pior ainda é que não existe na legislação vigente, nenhuma brecha jurídica, que permita a tal "intervenção", o que vale dizer que seria simplesmente uma quartelada, um golpe e um retrocesso na vida política e institucional do país. Fazendo com que o Brasil voltasse a ser visto como uma república das bananas, governada por generais, sem lei, sem democracia e sem liberdade de seus cidadãos.