Tribuna do Leitor

O perigo do Aedes aegypti; como combatê-lo?

Romildo Alves da Silva - vice-presidente do Prosalvi - Projeto Salva Vidas
| Tempo de leitura: 4 min

Um dos assuntos mais falados nos últimos tempos é a descoberta de novas doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Não bastasse a febre amarela e a dengue, o mosquito transmite ainda a chikungunya e o zika vírus, este último possível causador da microcefalia em fetos. O serviço de saúde, já sobrecarregado e que sabidamente não consegue atender a demanda normal, corre o risco de sofrer um colapso, caso algo não seja feito urgentemente. A dispersão da febre chikungunya pelo Brasil ocorre em velocidade impressionante. Já temos casos registrados em Marília, cidade bem próxima a Bauru. Por onde tem passado a febre chikungunya tem deixado um rastro de adultos e idosos com dores crônicas graves, necessitando de atendimentos constantes, aumentando os custos do serviço de saúde. O zika vírus, que já acometeu vários moradores de Bauru, inclusive gestantes, está circulando em nosso município e o risco de novas contaminações é alto. Apesar de apresentar sintomas mais brandos que os da dengue e os da febre chikungunya, o vírus zika não deve ser menosprezado, pois há evidências de que a infecção pelo vírus zika está associada a casos mais graves, como microcefalia congênita e síndrome de Guillain-Barré.

Estudos alertam para o grande impacto na qualidade de vida dos acometidos pela doença e dos reflexos na economia que uma epidemia de chikungunya pode causar. Em seus primeiros dez dias, os doentes costumam apresentar febres, fortes dores e inchaço nas articulações dos pés e das mãos. Em alguns casos, ocorrem também manchas vermelhas no corpo. Mas, mesmo com o fim da viremia (período em que o vírus circula no sangue), a dor e o inchaço causados pela doença podem retornar ou permanecer durante meses. Em alguns casos, eles tornam-se crônicos e podem permanecer por anos. Pessoas em plena idade produtiva podem ficar muito tempo sem conseguir trabalhar, com dores muito intensas, que não melhoram com analgésicos comuns.

Considerando que o mesmo mosquito é capaz de transmitir os quatro vírus da dengue, mais a zika e a chikungunya, têm, então, um único vetor seis possíveis contaminações debilitantes. Isso torna urgente e imprescindível a tomada de medidas para conter a proliferação do Aedes aegypti. Por outro lado, a boa notícia é que uma única ação pode evitar todas essas doenças, no caso, a erradicação do mosquito Aedes aegypti. Mas isso só será possível se houver o comprometimento de todos com um objetivo: erradicar o mosquito. Apesar de ser a forma mais eficiente de evitar a doença, não é tarefa fácil, por isso é importante a ajuda de todos para eliminar e evitar os focos do mosquito e não deixar que ocorram epidemias. Todos devem redobrar a atenção. Cidadãos comuns, agentes públicos e políticos precisam agir. Algumas atitudes simples, como vistoriar os quintais ao menos uma vez por semana, manter a caixa d'água completamente vedada, calhas limpas, recolher recipientes que possam ser reservatórios de água parada, encher com areia os pratinhos dos vasos de plantas e tratar a água de piscinas e espelhos d'água com cloro, cuidar de ralos que possam acumular água, são ações fundamentais, que contribuem para evitar a proliferação do mosquito transmissor dessas doenças. Todo cuidado é pouco. Devemos fazer nossa parte e fiscalizar para que o nosso vizinho faça a parte dele, de forma que todos se sintam responsáveis por não permitir que o inseto se prolifere.

Em Bauru temos bons exemplos de ações de combate. Algumas escolas municipais possuem os "agentes do bem", uma pessoa responsável por verificar se todas as medidas necessárias para a erradicação do mosquito estão sendo tomadas naquele ambiente. Talvez a prefeitura possa, por meio de projetos junto às comunidades, expandir essa ideia e criar nos bairros grupos de voluntários que auxiliem no combate ao mosquito em suas comunidades, colaborando por meio de ações específicas e coordenadas para erradicação do mosquito. Precisamos despertar para a realidade e entendermos que cada morador deve tratar a rua como extensão de sua casa. Nenhuma ação do poder público alcançará êxito sem a participação ativa daqueles que estão diretamente envolvidos, a saber, a própria população. A responsabilidade quanto a uma hipotética epidemia deve ser compartilhada. Somente as ações do poder público não conseguirão resolver o problema. Se esperamos inertes que o poder público solucione, pessoas adoecerão e algumas poderão ir a óbito e, todos nós, indistintamente, poderemos ser a próxima vítima dessas doenças terríveis.

 

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