| Samantha Ciuffa |
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| Alex Lopes observando produtos na vitrine do Calçadão da Batista |
Maria Sakata, Fátima Oliveira e Alex Lopes não se conhecem, mas possuem algo em comum. Os três consumidores "namoravam" vários produtos nas vitrines, nessa terça-feira (14), no Calçadão da Batista, mas um "detalhe" os impediu de fechar a compra: é a hora de priorizar!
"Estou economizando para comprar um tanquinho", dispara Maria. "Gostaria de comprar roupas, mas minha prioridade é pesquisar um armário de cozinha", justifica Fátima. "Com mais um filho para nascer, o jeito é priorizar e cortar os supérfluos", explica Alex.
No Dia Mundial do Consumidor, celebrado hoje (confira os seus direitos no quadro ao lado), a prioridade parece ser a palavra da vez entre a maioria dos consumidores. O que não quer dizer que eles têm deixado de gastar, mas que este consumo tem sido realizado de forma mais consciente. Prática impulsionada pela crise e que, segundo o economista Wagner Ismanhoto, reflete uma nova tendência e um novo período para o comércio.
"A crise e o alto índice de desemprego fizeram com que as pessoas percebessem que não dá mais para contar com aquilo que não se ganha. O consumidor está mais cauteloso, o comprador desenfreado tem sumido do mercado", pontua o economista.
BARGANHA
Aposentada com um salário mínimo, Fátima Oliveira, 62 anos, conta que tem economizado até mesmo em serviços de manutenção essenciais da casa. "Meus genros viraram meus eletricistas e meus encanadores nos últimos meses. Tudo o que preciso recorro a eles, em troca de um almoço caprichado no domingo".
Faxineiro, Alex, de 28 anos, não tem mais saído às compras com família. "A alimentação subiu muito. A gente só compra o que está precisando muito, alguma roupa necessária, por exemplo, e procura não se enroscar em dívidas", afirma o rapaz, que "namorava" alguns fones de ouvido, ontem, no Centro.
Também aposentada, Maria Sakata, 78 anos, até pensou em comprar um vestido novo, mas desistiu na sequência. "Tenho muito tecido em casa, vou costurar ao invés de comprar. Sai mais barato", comenta.
REINVENTAR
Para Ismanhoto, a mudança de comportamento do consumidor exigirá dos lojistas cada vez mais criatividade e fôlego para se reinventar em meio à crise. "Terão que repensar estratégias e serem mais comedidos nas margens de lucro", aconselha.
Os setores de vestuário e confecções são os que mais têm sentido o peso desta mudança. Por outro lado, a cautela maior no consumo pode ajudar a evitar endividamento futuro. "Hoje, algo em torno de 50 milhões de pessoas não têm recursos para consumir e, quando tiverem, vão valorizar mais essa possibilidade", finaliza o economista.
Saiba mais
O Dia Mundial do Consumidor foi comemorado, pela primeira vez, em 15 de março de 1983. Essa data foi escolhida em razão do famoso discurso feito, em 15 de março de 1962, pelo então presidente dos EUA, John Kennedy. Ele salientou que todo consumidor tem direito, essencialmente, à segurança, à informação, à escolha e de ser ouvido. Isto provocou debates em vários países e estudos sobre a matéria, sendo, por isso, considerado um marco na defesa dos direitos dos consumidores.
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