O debate sobre o papel da periferia e o seu lugar na cidade reuniu, nessa quinta-feira (16), no Galpão da Maré, na comunidade da Maré, na zona norte do Rio, intelectuais, pensadores e ativistas de organizações e universidades de 15 países, entre eles, Brasil Estados Unidos, México, Colômbia, Cabo Verde, Guiné Bissau, Portugal, Inglaterra, Itália e Índia. O Seminário Internacional é uma iniciativa do Instituto João e Maria Aleixo, um projeto da Rede de Desenvolvimento da Maré e do Observatório de Favelas, que é uma organização da sociedade civil que promove pesquisas dedicadas à produção do conhecimento e de proposições políticas sobre favelas e fenômenos urbanos.
“A nossa concepção, que orienta a nossa prática, é que as periferias têm potências. Passam por contradições econômicas, por conflitos sociais, são espaços afetados pela violência. Todavia, isso não pode ser um marco definitivo do olhar para as periferias. Elas precisam ser olhadas e sentidas a partir do que chamamos paradigma da potência”, disse o diretor do Observatório de Favelas e um dos organizadores do seminário, Jorge Barbosa.
O primeiro resultado deste encontro, que termina nessa sexta-feira (17), já foi definido. É a criação de uma rede internacional formada por entidades que atuam nas periferias. A ideia é incentivar a troca de dados para criar e fortalecer ações e políticas públicas que respeitem a diversidade, a identidade, a cultura e a história de cada comunidade, independente do país em que estejam localizadas. “Uma rede colaborativa para a formação intelectual da comunicação de experiências e também na produção de conhecimentos, ou seja, fazermos pesquisas juntos, trocando metodologias e buscando financiamento para que a rede possa ter uma organicidade”, disse.
A professora Sílvia Ferreira, doutora em Sociologia da Universidade de Coimbra, em Portugal, disse que um dos conceitos levantados no encontro é a percepção da diversidade das periferias urbanas. “Uma das primeiras ideias aqui é que as periferias não são um todo uniforme, a partir de fora, meramente do centro, mas sim uma enorme diversidade de experiências e vivências, todas elas se resultam da relação com o centro, porque ele não existe sem a periferia. Por isso é fundamental se construir esta rede, que tem um aspecto transformador”.