| Malavolta Jr. |
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| Córrego da Grama, nas proximidades do Fórum de Bauru: água já apresenta sinais de normalidade após receber interceptores |
O Rio Bauru e seus afluentes da área urbana deixam de receber esgoto doméstico em julho deste ano. Este é o cronograma atualizado pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) para concluir os 93 km de rede interceptora previsto no programa de tratamento.
Isso significa que, a partir do segundo semestre deste ano, não haverá mais despejo do equivalente a 900 litros de esgoto in natura por segundo em todo o perímetro urbano. Uma boa notícia às vésperas do Dia Mundial da Água (22/3).
O prazo poderá, ainda, ser reduzido. Conforme a diretora da Divisão de Planejamento do DAE, Nucimar Dolores Borro Paes, há três trechos pequenos com obras a serem concluídas. Mas em apenas um deles o serviço depende de entrega de material [tubos] para ser realizado.
"A repetição de chuvas gerou rompimento de interceptores na região do Córrego Água da Ressaca, perto do Cemitério do Ypê. No Água Comprida, a empresa contratada (Stemag) vai repor outro pequeno trecho de tubos que rodou com as chuvas. E na região da av. Pedro de Toledo, perto da Praça Machado de Mello, do lado do pátio ferroviário, o DAE vai fazer uma interligação. Estamos aguardando entrega dos tubos adquiridos pelo DAE para este último trecho", descreve.
Conforme a diretora, o planejamento indica que o cronograma será completado em 90 dias. "Os dois primeiros trechos são de fácil solução, com obras que serão realizadas ainda neste mês. O último, na região central, depende apenas da entrega do material. Todos os demais trechos instalados estão com sua situação regular. O DAE conclui os 93 km de interceptores projetados para o programa de tratamento em Bauru até julho", afirmou a diretora.
VIRANDO REALIDADE
A diretora de Planejamento do DAE ressalta que todas as emissões de esgoto no Rio Bauru já foram tamponadas [tapadas]. "Ao longo da Nuno a população se acostumou a ver aqueles tubos jorrando o tempo todo grande quantidade de esgoto. Todos esses pontos já foram tamponados e as obras de interligação contratadas nos diferentes trechos, realizadas, excetuando um ponto do pátio ferroviário que o DAE vai concluir. Em função disso, hoje já é possível observar a mudança na coloração, no aspecto da água, ao longo do leito do rio Bauru. No Rio Bauru não cai mais nada hoje de esgoto na área urbana", explica Nucimar.
A rede de interceptores capta o esgoto de coletores. Nas regiões com de maior relevo, cinco estações elevatórias (EE) fazem a transposição do esgoto. Esses sistemas estão construídos no Jardim Santa Cândida, Vitória, Fortunato Rocha Lima, Distrito Industrial 3 e Granja Cecília.
Outras duas EEs de menor porte serão instaladas no Parque Real e Chácaras Cornélias, mas já previstas na programação. Todo o esgoto coletado chega aos interceptores (que margeiam os afluentes e o rio Bauru). O esgoto vai para a Estação de Tratamento - em construção no Distrito Industrial I - por gravidade.
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É momento para o rio ‘respirar’
‘Natureza reage assim que deixa de receber esgoto e as formas de vida rapidamente reaparecem’, destaca Giselda Passos Giafferris (do DAE)
| Priscila Medeiros |
| Córregos de Bauru já registram outro tipo de “aparência” e abrem espaço para a vida |
Diretora do Serviço de Tratamento de Esgoto do DAE, Giselda Passos Giafferris menciona que, nos testes realizados nas águas de córregos afluentes e no próprio Rio Bauru, o “tempo de resposta” do manancial para “voltar a ter vida” é de 40 dias. “O rio se auto-depura, a natureza reage assim que o local deixa de receber esgoto. Formas de vida reaparecerem rapidamente. Nos testes, oxigênio em níveis aceitáveis ocorre entre 30 a 40 dias”, cita.
A presença de peixe depende de cada situação. “Voltar a ter peixe e eles se reproduzirem com alguma segurança demora um pouco mais. Mas, em geral, em alguns meses as formas de vida já aparecem”, complementa.
Além do despejo de lixo nos fundos de vale, outro obstáculo à recuperação do rio é a emissão de esgoto e produtos químicos por irregularidades nas instalações das águas pluviais.
“O problema é que construções de redes irregulares ainda provocam retorno de esgoto e despejo de produtos por rede de águas pluviais. Isso carreia óleo e graxas para o rio. Isso aparece com maior intensidade nas partes mais baixas. Nas nascentes o bioma dá sinais de vida de forma mais rapidamente”, conclui.
VISÍVEIS
A reportagem identificou sinais visíveis de recuperação dos corpos d’água em córregos como o Madureira, que deságua no rio Bauru na região do Parque Vista Alegre, e na Rua Tiradentes, onde, perto do Fórum da Bela Vista, a água já é clara no Córrego da Grama. Neste ponto há o encontro do córrego com o Rio Bauru, por baixo da nova alça do Viaduto Bela Vista-Falcão.
No Córrego da Forquilha, que “acompanha”, quase em paralelo, os trilhos da ferrovia no fundo de vale da Água do Sobrado, até os peixes voltaram. Na última quarta-feira, dois bauruenses capturavam peixinhos no Córrego da Forquilha, usando peneira e sacos plásticos.
DESAFIO NO CAMINHO
As águas dos afluentes e do leito do Rio Bauru passam a ficar livres do esgoto in natura, mas a poluição dos fundos de vale com despejo de lixo e outros dejetos continua em diversos pontos da cidade. Este é o desafio da Prefeitura de Bauru.
O combate ao despejo de lixo pela população e empresas - que descarregam com caminhões muito material de descarte ao longo dos vales por onde correm as águas - é incipiente pela área de fiscalização municipal. De outro lado, pouco se educa, desde as escolas, com ações de conscientização junto aos moradores. A diretora do Serviço de Tratamento de Esgoto, Giselda Passos Giafferris, lembra que a outra ponta do programa permanece em aberto.
“Os fundos de vale continuam recebendo lixo pela população. O descarte de materiais, de sujeira, de animais mortos, de restos de todo tipo de produto e alimento é grande. E isto precisa ser resolvido porque esse lixo depositado próximos desses leitos gera chorume. E o chorume polui mais do que o esgoto que era despejado in natura no Rio Bauru”.
A atribuição para combater essa pendência é da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma). Em municípios que já concluíram o programa completo de saneamento, os fundos de vale foram transformados em parques lineares urbanos, com área verde e opções de lazer.
“O DAE ainda terá de recuperar toda a mata ciliar ao longo de onde foram implantados os interceptores, nos trechos onde existe vegetação. São 72 mil mudas que serão plantadas pelo DAE no termo de compromisso assumido junto à Cetesb”, comenta Giafferis. A Semma está elaborando o projeto de plantio.

