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Outono chegou: cuidado com sua saúde

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Sérgio Trindade: permanência em ambientes fechados ajuda na propagação de vírus e bactérias e mais casos de inflamação 

Aconchegante e agradável para alguns e preocupante para outros: assim é o outono (estação dos ventos e de temperaturas amenas que teve início, nesta segunda-feira (20), às 7h29).

Transição entre o verão e o inverno, o período é definido também pela redução de chuva e baixa umidade do ar.

Apesar do clima ameno, outra marca está na possibilidade de os dias registrarem mudanças bruscas na temperatura, variando do frio, normalmente nas manhãs, ao calor, mais frequente à tarde. Características que refletem diretamente no sistema imunológico humano e favorecem o aumento de problemas na saúde, principalmente os respiratórios, alérgicos e até cardíacos.

O JC traz algumas dicas podem ajudar a minimizar esses efeitos (veja quadro no final).

OS DIAS

Samantha Ciuffa
Plantas ficam com menor tempo de fazer a fotossíntese e, para poupar energia, derrubam suas folhas: característica da estação

Em outonos anteriores, Bauru chegou a ter de 10 a até 15 graus de diferença na temperatura em um mesmo dia, segundo o IPMet. É a chamada amplitude térmica.

"São dias em que você sai de casa pela manhã com blusas e um frio de dez graus e, à tarde, a temperatura acaba passando dos 25 graus", detalha o meteorologista José Carlos Figueiredo.

A temperatura média dos dias, que era de mais de 20 graus no verão, deve baixar para 18 graus em abril, 15 graus em maio e 14 graus em junho. 

"Neste final de março já começa a ficar mais fresco, mas a queda acentuada nas temperaturas deve ser sentida de fato a partir da segunda quinzena de abril", pontua o meteorologista.

Ao menos três episódios de frio intenso devem ocorrer até o final do outono, dia 21 de junho às 1h24. Há também a entrada das primeiras massas de ar frio, oriundas do sul do continente e geralmente de origem polar. A ocorrência de nevoeiros e geadas durante a madrugada e início da manhã é muito frequente também.

O BEM-ESTAR

Com o friozinho, chegou hora começar a tirar as roupas quentinhas do armário para se preparar para o inverno. E é aí que mora o problema, aliás a poeira.

No outono há um aumentam das partículas em suspensão no ar. "Poeiras e poluentes atmosféricos causam reações inflamatórias que podem desencadear problemas que as pessoas já tinham, como rinite e crise de asma",  pontua Sérgio Trindade, médico otorrinolaringologista da Faculdade de Medicina de Botucatu.

O ar seco por si só já irrita o nariz e os pulmões. A tendência em ficar mais em ambientes mais fechados também ajuda na propagação de vírus e bactérias. Alguns estudos relacionam o aumento de infartos com poluição atmosférica nesta época.

"Há aumento da inflamação causada pela inalação dessas partículas, o que reflete no índice de infarto e arritmias", alerta o médico.

As folhas caem...

Observa-se o fenômeno da caducifólia (quedas das folhas) em algumas espécies de plantas, que é um mecanismo de adaptação à mudança do clima. Como os dias se ficam mais curtos e as chuvas mais escassas essas espécies de plantas têm menor tempo para fazer fotossíntese e, para poupar, energia derrubam suas folhas.

Agricultura e queimadas

A redução das chuvas tem impacto direto na agricultura, meio ambiente e nos recursos hídricos, principalmente na manutenção dos níveis dos rios e dos reservatórios. "Neste verão todo choveu 630 milímetros. Nos três meses de outono, é esperado chover 38% disso", ressalta Figueiredo.

Com os dias mais secos e os ventos, a ocorrência de queimadas também é favorecida.

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