Política

Servidores deflagram greve na terça-feira

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Aceituno Jr.
Servidores decidiram em assembleia a deflagração de uma greve por não concordar com 2%

Os servidores municipais de Bauru, incluindo a administração direta e indireta (como DAE e Emdurb), decidiram por greve da categoria a partir da próxima terça-feira (28), às 7h. A decisão foi tomada nessa quinta-feira (23) à noite, na sede do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm). Ao todo, 102 funcionários votaram, sendo 81 votos pela greve, 19 contrários e duas abstenções.

Ao todo, o município conta com mais de 7.700 mil servidores na ativa. São 6.200 na administração direta e pouco mais de 1.500 no DAE e Emdurb. Há ainda aproximadamente 2.500 inativos (aposentados e pensionistas). A data-base da categoria é o dia 1 de março. Em fevereiro, os servidores apresentaram o pedido de reajuste de 10,74% no salário, relativo a perdas inflacionárias. Foi solicitado ainda aumento do vale-compra dos atuais R$ 362,00 para R$ 480,00, e do abono dos atuais R$ 321,00 para R$ 380,00.

O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) apresentou contraproposta, com reajuste de 2% mais R$ 20,00, incorporados ao salário. No vale-compra e abono, inicialmente o município ofereceu 4,6% de aumento, mas após a rejeição dos servidores, foi oferecido 9% de aumento em ambos, com o vale-compra passando para R$ 392,00, e o abono para R$ 350,00.

Na assembleia dessa quinta-feira (23), os servidores rejeitaram a nova proposta por ampla maioria. Em seguida, foi colocada em votação a deflagração de greve, a partir da próxima terça-feira (28), possibilidade aceita por 81 dos 102 presentes.

MOBILIZAÇÃO

Valdecir Rosa, diretor do Sinserm, diz que a deliberação já era esperada. "Hoje (quinta-23) foi a ratificação, pela insatisfação com o que o prefeito tem apresentado com relação aos salários. Agora é um trabalho de formiguinha, cada servidor chamando os companheiros de trabalho. O sindicato também vai atuar, mobilizando a base e usando carro de som. Na terça-feira, às 7h, a concentração inicial é no Sinserm, e daí tiramos os passos seguintes", aponta.

Uma das preocupações dos servidores durante a assembleia é com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), no final do ano passado, que restringe as greves. Com isso, o pagamento dos dias parados depende de acordo com o prefeito. "É por isso que precisamos mobilizar um grande número de servidores, pois se a greve tiver boa adesão, essa negociação é mais viável", define o dirigente sindical.

De maneira geral, os servidores pedem a valorização no salário, pois o vale-compra deixa de ser pago quando o funcionário se aposenta. Já o abono é pago aos trabalhadores que ganham até R$ 2.300,00 (escalonado até R$ 2.600,00), e vale para os ativos e inativos. Os servidores pedem ainda que o prefeito diminua o número de cargos de livre nomeação, no sentido de valorizar os funcionários de carreira.

'Estamos no limite', diz prefeito Clodoaldo Gazzetta

Samantha Ciuffa
"...neste momento, estamos no limite", declarou o prefeito Clodoaldo Gazzetta, após ser informado pelo JC sobre a decisão do funcionalismo nessa quinta-feira (23)

O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) lamentou a decisão dos servidores que optaram pela greve. "Estamos próximo do limite prudencial, não temos de onde tirar recursos. Conseguimos avançar no abono e no vale-compra, oferecendo 9%, e nos comprometemos a repor a inflação a partir do ano que vem, já prevendo no orçamento. Estamos trabalhando com um orçamento aprovado na gestão passada. E também de negociar as perdas dos anos anteriores. Mas, neste momento, estamos no limite", declarou, após ser informado pelo JC, na noite dessa quinta-feira (23), sobre a decisão do funcionalismo.

"Lamento a decisão, mas seguimos abertos ao diálogo, as portas estão abertas sempre. A Mesa de Negociação vai funcionar a partir do próximo mês, com membros do sindicato e dos servidores de maneira geral. E também estamos requalificando várias funções dentro do PCCS, na qual os servidores detectaram perdas. Isso está sendo feito pontualmente, em cada secretaria, e também traz um impacto financeiro", conclui o prefeito.

De acordo com a Secretaria Municipal de Finanças, o impacto total dos reajustes oferecidos (salário, vale-compra, abono e as progressões previstas no PCCS) chegaria a R$ 22,3 milhões neste ano. E o município passará a gastar R$ 398,3 milhões com folha, equivalente a 50,89% da Receita Corrente Líquida (RCL). O limite da Lei de Responsabilidade Fiscal é 51,3% (prudencial) e 54% (legal).

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