Roubos seguidos a estabelecimentos comerciais e a pedestres. A sensação de insegurança ronda os bauruenses, principalmente aqueles que costumam frequentar as atrações noturnas da cidade. O temor ficou ainda mais evidente após novo arrastão registrado na noite da última quinta-feira (23) em uma sorveteria na Getúlio Vargas, conforme mostrou o JC nessa sexta-feira (24).
Mesmo com movimento intenso, três homens encapuzados, dois deles armados, renderam clientes e funcionários, modo de ação bastante semelhante com outro arrastão ocorrido no último domingo em um restaurante da Vila Universitária. Inclusive, tanto a PM quanto a Polícia Civil acreditam ser a mesma quadrilha.
Diante do cenário atual, a PM anunciou, nessa sexta (24), uma operação com objetivo de reforçar o patrulhamento em locais com estabelecimentos que funcionam à noite, com foco específico na zona sul de Bauru, área onde aconteceram os dois arrastões num espaço de tempo de apenas cinco dias.
O capitão PM Bruno de Oliveira acredita que possa estar iniciando uma tendência de roubos a lugares movimentados, justamente para garantir maior "lucro" aos ladrões. As ações, portanto, buscam frear esta modalidade criminosa antes que ela se propague e fuja do controle. "Os esforços serão nesse sentido", frisa.
Ele explica que a corporação trabalha com dados estatísticos e tendências criminais. "Os dois casos mostram que os crimes estão acontecendo na mesma área, onde será feito um direcionamento do patrulhamento. As pessoas vão ver mais viaturas trafegando e estacionadas nesta região, com objetivo de 'sufocar' o crime e não deixar que ele aconteça".
Bruno pondera que o reforço não deixa outros pontos da cidade desguarnecidos. "São viaturas já destinadas para apoios específicos como neste caso", diz ele, destacando que o modo de operação dos ladrões nos dois arrastões preocupa porque pode se tornar uma tendência. "Ao que tudo indica, o mesmo grupo atuou nos dois assaltos".
Este perfil de roubo, segundo o comandante, aumenta o ganho da atividade criminosa, pois trata-se de um mecanismo para angariar mais objetos na mesma ação, uma vez que os ladrões rendem também os clientes. "É algo que pode ser repetido e, por isso, vamos acompanhar para evitar novos casos", garante Bruno.
IMPACTOS
O capitão da PM observa que o arrastão gera impactos tanto no estabelecimento vitimado quanto em outros próximos e, principalmente, na população. "As pessoas saem à noite para passear, se divertir, e ficam com essa preocupação de estar em um lugar que pode ser roubado a qualquer momento", pontua.
'Temos que tirá-los rapidamente de circulação', destaca delegado
Titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Cledson Nascimento acredita que a mesma quadrilha seja responsável pelos dois assaltos. Segundo ele, novos arrastões podem ser evitados com a prisão do grupo. “Temos que tirá-los rapidamente de circulação”, aponta.
Nascimento pontua que o modo de operação (render clientes), uso de revólver e características físicas nos dois casos são determinantes para teorizar que os crimes tenham sido praticados pelos mesmos ladrões.
“Nesta modalidade criminosa, a gente percebe que eles não se preocupam tanto em chegar ao caixa do estabelecimento, mas com o lucro que podem ter com os clientes”, ressalta o delegado, afirmando que as investigações seguem para identificar e prender os criminosos.
Mais assaltos...
Além dos arrastões registrados nas noites de domingo e quinta - no primeiro, os assaltantes levaram R$ 600,00 do caixa e pertences dos clientes e, no segundo, celulares dos clientes, joias e mais de R$ 2 mil em dinheiro - mais dois roubos nesta semana chamaram a atenção. Um deles também ocorreu no domingo, em frente a um bar no Jardim Brasil.
Um homem e uma mulher estavam dentro do carro quando foram abordados e levados como reféns por dupla armada. Uma das vítimas foi encontrada algemada em um canavial de Bocaina.
No dia seguinte, às 9h05, dois assaltantes tentaram roubo a um posto de combustível na Rodrigues Alves, a duas quadras da CPJ. Eles só não conseguiram concluir o assalto porque o proprietário se trancou em uma sala e gritou que estava armado.
Fora os casos oficiais, há ainda vários relatos de pessoas que são roubadas, mas, descrentes, nem sequer registram BO.
Sobram crimes e faltam policiais
O combate aos criminosos "esbarra" em um problema institucional, que se estende a todo o Estado: falta de policiais e viaturas. Sem especificar números, o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, comandante da PM em Bauru, revela que o déficit do efetivo da corporação local é de 10%. "É uma situação crítica que o Estado está passando", diz.
Para a Polícia Civil, o cenário também não é dos melhores. Neste mês, conforme o JC divulgou, a categoria realizou ato estadual para expor as dificuldades de trabalho, apontando desvalorização profissional, defasagem nos quadros e falta de estrutura. Delegado seccional de Bauru, Ricardo Martines reconhece que exista, de um modo geral, um déficit de policiais civis na cidade. "A polícia tem que priorizar algumas coisas", pontua.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) alega que, em Bauru, houve queda de 5,7% nos casos de roubos e furtos de janeiro a fevereiro de 2017 em comparação a 2016 e que "estão em formação 3.726 policiais, que serão distribuídos para todo Estado".
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