| Samantha Ciuffa |
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| Para José Viana Neto, presidente do Creci-SP, queda de taxas de juros e incentivos federais contribuíram para retomada |
"Sobreviventes" da crise, diversos setores da economia começaram a ser tomados por uma onda de otimismo e com o mercado imobiliário não é diferente. Em visita na última quinta-feira (23) a Bauru para uma reunião de trabalho na sede da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), o presidente do Conselho Regional de Corretor de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto, afirmou que o volume de financiamentos já voltou a crescer, bastante favorecido pela queda nas taxas de juros e pelo início da retomada da confiança da população na recuperação da economia.
"Quando estávamos no auge dos negócios, quase 80% das transações eram feitas por meio de financiamento bancário. Em 2015, esse índice caiu para 30% e, no fim de 2016, chegou 59%. São pessoas de classe média ou de baixa renda que estão voltando a se sentir seguras em fazer financiamentos de longo prazo", pontua.
Da mesma forma, ele aponta que o número de novos lançamentos imobiliários neste ano no Estado já é superior ao do mesmo período de 2016. Contribuíram para este resultado, entre outros motivos, a elevação do teto para a aquisição de imóveis com recursos do FGTS e a criação de novas faixas de renda para financiamentos por meio do programa Minha Casa Minha Vida.
"A tentativa do governo federal é reaquecer a economia, visto que o resultado ao investir no mercado imobiliário é imediato, cerca de 90 dias. É um segmento muito forte, que representa 18% do PIB", observa, salientando que os corretores paulistas têm participado de reuniões junto com a Caixa Econômica Federal para discutir estratégias de vendas.
DÉFICIT
Conforme o JC divulgou, a partir de agora, poderão aderir ao MCMV famílias com renda mensal de até R$ 9 mil. Antes da mudança, o limite de renda era de R$ 6,5 mil por mês. "Era uma demanda que ficou reprimida durante muito tempo e que, agora, terá a oportunidade de comprar um imóvel. Isso ajuda movimentar a economia", frisa.
Segundo Viana Neto, em 2004, o déficit habitacional era de 7 milhões de unidades. Dez anos depois, ainda faltavam 5,8 milhões de imóveis. Atualmente, estima-se que, com o crescimento da população, o patamar tenha voltado a 7 milhões.
"Por isso, a atividade profissional do corretor de imóvel pelo menos pelos próximos 30 anos vai continuar em grande evidência. O mercado de habitação foi o último segmento a entrar na crise e será o primeiro a sair. Continua forte e uma opção segura de investimento", completa.
