Tribuna do Leitor

Vaidades acima das instituições

José Eduardo Amantini - jornalista
| Tempo de leitura: 2 min

Estamos vivendo num Brasil onde prevalece cada vez mais as vaidades pessoais em detrimento do fortalecimento das instituições, que devem ser permanentes e os pilares sólidos da democracia. A cada novo escândalo que surge no País e passa a fazer parte do cotidiano dos brasileiros também aparece a vaidade de autoridades que deveriam trabalhar com maior discrição e responsabilidades profissional e social.

É óbvio que nenhum brasileiro com o mínimo de bom senso e seriedade pode deixar de querer de passar o Brasil a limpo, combatendo com rigidez os sucessivos casos de corrupção e a impunidade cada vez mais enraizados na cultura do País.

Entretanto, em vários casos têm prevalecido o sentimento da vaidade, a incontida ansiedade de se tornarem celebridades nacionais, reconhecidos como heróis e reverenciados como os "salvadores da pátria". Essa preocupação primeira em se tornarem protagonistas de espetáculos midiáticos que potencializam suas qualidades tem feito com que adotem atitudes precipitadas, equivocadas e, algumas vezes, destoantes dos princípios que regem o exercício de suas atividades. Esta prática, até compreensível em se tratando de seres humanos, pode trazer danos morais e materiais irreparáveis aos cidadãos.

É neste olhar crítico que, lamentavelmente, constatamos que a vaidade exacerbada compromete o desempenho da competência e fragiliza o conceito de equilíbrio que se exige de autoridades a quem se confiam missões de tão grande relevância.

O consagrado Machado de Assis chegou a afirmar que "a vaidade é o princípio da corrupção", ao tentar fazer compreender que esse sentimento transforma mentes brilhantes, conduzindo-as a agir em desacordo com os valores que sempre defenderam ou declaram defender. Os vaidosos são pessoas apaixonadas pela glória e, por isso, perdem a virtude da nobreza na análise das coisas com isenção.

A sociedade brasileira tem visto com frequência certos exageros em operações e decisões de instituições e poderes constituídos onde tem prevalecido a vaidade pessoal sobre o interesse coletivo e até econômico do País.

É claro que os casos suspeitos devem ter investigação profunda e, após os delitos serem comprovados e julgados, devem ser punidos exemplarmente para se fazer justiça. Mas este amplo trabalho de apuração pelas Instituições deve ser feito com absoluto cuidado, discrição, ética e conhecimento técnico, até para não cometer espetacularização ou injustiças.

A vaidade, tão comum à espécie humana, foi a causa da tragédia de Narciso na mitologia grega, e está cada vez mais forte e presente na sociedade de consumo que vivemos hoje. Infelizmente, estamos cheios de exemplos na política, nas mídias e em todas as instituições públicas e privadas. Não podemos permitir que a vaidade de algumas autoridades, que são passageiras, sejam mais fortes do que as instituições, que devem ser permanentes para promoção da plena cidadania.

 

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