A competição educacional com a ideia de ser uma escola do futuro está se acentuando nos principais centros econômicos do país como São Paulo e Rio de Janeiro. Com mensalidades que chegam perto de 7.000 reais, estas escolas seguem modelos consagrados como na Finlândia e Estados Unidos. E já encontram filas de espera! Estas escolas pretendem que seus alunos tenham vivência internacional falando duas ou três línguas e que desenvolvam habilidades de enfrentamento aos desafios de um mercado de trabalho em mutação. Onde, dentro de uma visão conectivista, os saberes se encontram em vários repositórios digitais e decorar datas históricas ou a fórmula de hidrocarbonetos não faz mais sentido.
Mais da metade das profissões que estes alunos exercerão e processos que estarão envolvidos daqui há 20 anos ainda não existem ou ainda não foram inventamos. Enfim, esse modelo centra-se em ensinar o aluno a aprender a aprender. Sim, eles precisam aprender sozinhos, o modelo atual está se deteriorando rápido e as escolas que não acompanharem estarão extintas em pouco tempo. Ao invés de aguardarem a aula expositiva de seus professores, estes alunos vão aprender com a mão na massa dentro das oficinas Maker que já falamos em um de nossos artigos aqui.
O slogan destas novas escolas parece lembrar uma recorrente propaganda de TV Futura: "Saber fazer perguntas é tão ou mais importante que saber respondê-las". E o foco sempre está centrado no interesse do coletivo de alunos e daí se constroem o ensino por projetos. Deste modo, a linha que separa as disciplinas no ensino tradicional é quase inexistente neste novo modelo: um tema de ciências também pode ser abordado nas aulas de português, história e matemática. O que define o formato, a duração e o conteúdo da aula são os desafios que os alunos se propõem enfrentar!
Este modelo esboça princípios teóricos que não são novos e que há décadas se vem discutindo: aprender a aprender, ter curiosidade, saber planejar, trabalhar de forma colaborativa é fundamental para a sobrevivência no novo milênio, mais do que as disciplinas obrigatórias!
O autor é professor, palestrante e consultor de tecnologias em educação. Colaborador de Opinião do JC