Confesso, não resisti à notícia de jornal da capital do Estado.
Dizia o diário que o Estado iria implantar na rede pública escolar,
as atividades de reforço para alunos das primeiras séries de aprendizagem
do ensino fundamental e da nona série com a finalidade de melhorar
o rendimento escolar de alunos com dificuldade nas atividades de estudo.
O fato levou-me ao começo de 1970 quando supervisor técnico de educação
"bolei", com minha equipe técnica, o plano para a formação de grupos de reforço,
cujo objetivo era atender aos alunos com dificuldades em Língua Pátria e Matemática.
A razão do grupo de reforço específico, chamado GRE, era o aluno desguaritado,
fosse rico, pobre, remediado, miserável que não conseguia vencer programação
dos conteúdos básicos de uma educação mínima necessária ao convívio coletivo.
Tive "a sorte" de ter sobre o tema a crítica do jornalista Perseu Abramo, intelectual ativo,
que, único, ao ler o Diário Oficial do Estado, deparou-se com o projeto escolar de recuperação,
detalhado e proposto à rede de ensino público primário no Diário Oficial de 25/03/1973.
Vivia-se, então, período complicado no ensino público regular da Secretaria da Educação.
Aprovada a Lei de número 5.692/71 deu-se início ao desmonte da estrutura tradicional.
O ensino primário que, desde o início da República, cuidara da educação primária formal,
foi eliminado não se levando em consideração a notável contribuição do grupo escolar
para a educação de multidão de alunos beneficiados da classe alta, média e popular.
A bem da verdade, São Paulo começara, antes da esfera federal, a pensar na escola
integrada de oito anos, ao sugerir a junção do grupo escolar ao ginásio como medida nova:
acabar aos poucos com o exame da admissão ao ginásio que barrava os alunos do ginásio.
Com a "democratização do ensino", as classes altas e médias deixaram, aos poucos,
a escola pública regular de oito anos, resultante de anexação apressada e sem atenção.
Sem o cuidado de equacionar a questão do aluno carente de "estudos de recuperação",
em bases pedagógicas sólidas, o ensino privado cresceu diante da desarticulação estatal.
O projeto GRE propunha ensino dialogado com a ajuda de "substitutos do grupo escolar",
a atuarem com a professora titular da classe e atender o aluno em horário distinto do regular.
Previa-se que o aluno ao receber atenção individualizada teria rendimento satisfatório pontual
caso o atendimento pedagógico fosse contínuo e o substituto e estagiário recebessem algo,
além de meros "pontos para ingresso ao magistério", mediante justa ajuda monetária mensal.
Chamei a atenção para o fato de ao substituto e ao estagiário não bastariam honras e loas.
Disse da necessidade de o trabalho educativo ser pago, fosse federal, estadual ou municipal.
Os pedidos não tiveram eco na administração do sistema estadual que, ora, retoma o assunto.
Não atendido na ocasião, tomei decisão rápida; procurei encontrar saída de imediato e pronto.
Debandei-me para o ensino superior a convite de honroso Diretor de Faculdade antes posto.
Fica, aqui, o registro fiel de experiência pedagógica que, aliás, findou, assim que começou.