Tribuna do Leitor

Desrespeito com o futebol do Interior

Tião Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

O Futebol Brasileiro, especialmente em São Paulo, está fadado a se resumir aos grandes times da Grande São Paulo, com algumas raríssimas exceções, caso, por exemplo, do Santos. Atualmente, a CBF e federações estaduais, com aval dos clubes, estão pouco se lixando para os torcedores, visto que a TV é a principal fonte de renda dos grandes clubes, seguida pelos patrocinadores de camisa e, por último, a bilheteria. Para muitos clubes, dirigentes e jogadores, se o estádio estiver vazio, melhor.

Não vale a pena gastar milhões de reais para manter um time do interior na Série A do Campeonato Paulista de Futebol; um campeonato que não chega a durar três meses, para ver em casa dois, ou no máximo três, jogos que vale a pena assistirem. Findando o campeonato, o pobre time do interior, sem fonte de renda, tem que se desfazer o elenco.

Alguns clubes, por algum tempo, conseguem se manter e até se classificar para as próxima fases do campeonato, como é o caso do Linense que, nesse ano, conseguiu chegar às oitavas de final. Mas, daí, vem a decepção e o desrespeito aos torcedores, tanto por parte dos dirigentes, como por parte da Federação Paulista.

No jogo contra o São Paulo, o Linense tinha o mando do jogo, mas ele foi realizado em São Paulo. Muitos torcedores de Lins se sacrificaram e viajaram 450 Km para ver o jogo e prestigiar seu clube, como fizeram durante toda a primeira fase do torneio. No jogo de domingo (Linense 0 x 2 São Paulo), tivemos a presença de pouco mais de 15 mil torcedores. Aí, pergunto: por que o jogo não fora realizado em Lins, no Estádio Municipal Gilberto Siqueira Lopes, o Gilbertão, que desde 2010 tem capacidade para 15.770 torcedores, prestigiando, assim, os torcedores de Lins e região? Se achavam que o estádio do Linense seria pequeno, temos outros estádios no interior, especialmente na região de Lins (Bauru, Rio Preto, por exemplo) com capacidades maiores e, assim, o futebol do interior seria prestigiado. Isso só interessa à mídia, aos "dirigentes" e aos jogadores que estão muito mais preocupados com seus salários, tatuagens e cores das chuteiras. Por isso, quando alguém me pergunta: para qual time você torce? Respondo: fui santista, mas sarei.

 

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