Economia & Negócios

Conta de energia terá duas reduções e valerá até 2018

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Após a onda de aumento de preços nos últimos meses, o consumidor começa a ter boas notícias. Além de reduções em alguns produtos alimentícios, a CPFL Paulista anunciou, nessa quarta-feira (5), duas reduções de preços na tarifa da conta de energia elétrica.

A primeira, de 15,28%, beneficiará a todos os clientes sem distinção de baixo ou alto consumo, mas vigorará apenas neste mês. A segunda, que será aplicada a partir deste sábado e se estenderá até 7 de abril de 2018, reduzirá a conta dos os consumidores residenciais em 9,62%; do comércio e pequenas indústrias em 10,50%; e das grandes indústrias em 12,20%. Ao todo, 167 mil usuários serão beneficiados pelas medidas em Bauru.

As reduções nas contas, contudo, podem ocorrer de forma parcial, entre os meses de maio e abril, dada a variação do período de medição.

A queda repercutiu de forma positiva entre os representantes da indústria e do comércio da cidade, que definiram a medida como um "respiro" e uma "vitória" para os setores, que têm sofrido com os efeitos da crise econômica.

MOTIVOS

A redução de 15,28% parte de reajuste extraordinário feito pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) com objetivo de reverter efeitos da inclusão da parcela do Encargo de Energia de Reserva (EER) correspondente à contratação da usina de Angra 3, já que ela não precisou ser acionada em 2016. O valor será devolvido em parcela única neste mês.

A segunda redução, que foi aprovada ontem pela Aneel, é uma medida de caráter ordinário tomada em reunião da diretoria da agência. Ela integra o Reajuste Tarifário Anual da CPFL Paulista, previsto no contrato de concessão, que deve ser renovado, novamente, em 8 abril de abril do ano que vem. Até lá, os consumidores, divididos em três categorias conforme o consumo, terão o decréscimo do valor na conta.

"Foi ocasionado por causa da redução de quase 30% de alguns itens de custos, não gerenciados pelas distribuidoras, como os encargos setoriais, como o criado para custear subsídios de descontos previstos em lei e o criado para subsidiar parte das termoelétricas que usam carvão como combustível. E também por causa da compra de energia da usina de Itaipu. Nós pagamos a energia em dólar e, com a redução da taxa da moeda, o valor diminuiu", explica Márcio Roberto, gerente de regulação econômica das distribuidoras do grupo CPFL.

Além de Bauru, outros 233 municípios, com 4,2 milhões de consumidores do Interior do Estado de São Paulo, também serão atingidos pela medida.

Preços do tomate e da alface também caem

Termômetro do setor, a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) de Bauru registrou, nessa quarta-feira (5), queda de preços em tomate e alface. Recuo, aliás, que deve ser mantido nos próximos dias e sentido, na sequência, pelo consumidor em outros pontos de venda, como supermercados.

"O tomate bateu a casa dos R$ 100 a caixa de 24 quilos na semana passada e, agora, está por volta de R$ 80", detalha o técnico operacional Luís Eduardo Barros. "Já a alface, caixa com seis quilos, chegou a R$ 35 e passou a ser encontrada por R$ 25 e até R$ 20. São diminuições associadas ao clima e hábito próprios de outono". Em meio a um cenário de dinheiro curto e de economia "bicuda", redução de preços do que vai no prato do almoço e do jantar, associada à queda na conta de energia, é notícia muito bem-vinda.

Em supermercado, mais quedas...

Eduardo do Amaral, gerente de compras de uma rede de supermercados em Bauru, também afirma que produtos como a cebola, laranja pera e maçã nacional tiveram quedas de preços que variam de 10% a 20%. Já o arroz e óleo de soja sofreram uma redução de cerca de 5%.

São vários os fatores que explicam esta diminuição de preços, entre elas a entrada de safra, boa produção e baixa demanda, somados a necessidade de venda do varejo que intensificou o tempo de duração das ofertas, contribuindo para redução dos valores ao consumidor final.

Samantha Ciuffa
Patrícia Rossi, da Acib, fala sobre redução na energia

'Respiro' para os setores

Diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Domingos Malandrino diz que a redução deve beneficiar, principalmente, empresas que utilizam a energia como matéria prima, como siderúrgicas e as três fábricas de baterias de Bauru.

"Com certeza, isso poderá influenciar no preço, mas não na maioria das indústrias. Em algumas, a energia representa 0,01% do custo do produto. De qualquer forma, isso é uma vitória em um momento de crise", avalia Malandrino.

Ele ressalva, no entanto, o fato da não utilização da usina de Angra como um aspecto preocupante. "Mostra que o ritmo da indústria caiu. Há três anos, tínhamos problemas com a falta de energia", acrescenta.

Já a Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) diz que ainda é prematura qualquer afirmação no sentido de que haverá impacto em preços ao consumidor. "Estamos em um momento de renovação de estoques e isso pode favorecer essa movimentação. Não serão grandes valores, mas essa sobra em caixa pode trazer alívio e impactar positivamente no comércio local, principalmente a partir do segundo semestre", pontua Patrícia Rossi, presidente da entidade.

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