| Priscila Medeiros/Divulgação |
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| Gazzetta e David Françoso, da Administração, na assinatura do termo de greve e do texto do reajuste |
Os servidores municipais em greve retomam as atividades nesta sexta-feira (7), após dez dias parados. Em decisão “apertada” durante assembleia nesta quinta-feira (6), 141 trabalhadores votaram pelo fim da paralisação, contra 113, conforme informou o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm).
No ápice da greve, chegou-se a contabilizar adesão de mais de 500 funcionários. O movimento enfraqueceu depois que a prefeitura anunciou o desconto no ponto a partir dessa quinta (6). Entretanto, Clodoaldo Gazzetta (PSD) garantiu que não descontará o dia parado.
“Decidimos pelo desconto através de um ofício encaminhado ao sindicato, dizendo que havíamos encerrado as negociações porque não tinha mais como avançar na proposta. O corte no ponto começaria se a greve continuasse, mas não havendo mais a paralisação, o desconto de hoje (quinta-6) não acontece”, pontuou o prefeito. Os dias parados na Educação, contudo, precisarão ser repostos caso verifique necessidade.
Apresentada na terça, a contraproposta final do município antecipa o vale-compra para dezembro e a vantagem pessoal de R$ 80,00 também para o último mês do ano (para quem ganha acima de R$ 2 mil). Foram mantidos os 2% de reposição salarial e o abono-refeição de R$ 350,00.
Os servidores em greve até retomaram mobilização quarta, conforme o JC divulgou, para elaborar nova proposta que foi enviada ao Palácio das Cerejeiras. O texto atualizado reivindicava alteração em alguns prazos dos benefícios.
Os índices chegaram a ser avaliados pela prefeitura, mas Gazzetta voltou a afirmar que não tinha mais como negociar e que a contraproposta apresentada na terça já teria sido transformada em Projeto de Lei, para ser encaminhado para votação na Câmara Municipal.
AVALIAÇÃO POSITIVA
O Sinserm avaliou de maneira positiva o movimento. “Gostaria de parabenizar os servidores que saíram novamente à luta, porque só desta forma os trabalhadores conseguem ter seus direitos respeitados. Não alcançamos o anseio de todos, mas eles foram vitoriosos porque tiveram coragem”, frisou o diretor do sindicato, Valdecir Rosa.
Rosa diz que a categoria só não avançou mais por conta de represálias do governo municipal. “Na campanha eleitoral, o prefeito Gazzetta falou que iria valorizar os servidores e respeitar o direito de greve. Em uma atitude covarde, ele anunciou o desconto dos dias parados”, disse.
O prefeito rebateu a crítica. “É muito lamentável que ele (Valdecir) tenha afirmado uma coisa dessa, pois em nenhum momento fechamos as portas para o sindicato. Tanto é que abrimos uma mesa de negociação permanente com eles. Só que chegou num ponto que não tínhamos mais para onde recorrer. Aí a decisão da greve ficou a critério da Justiça”.
Impacto de R$ 10 mi ao município
Estudos da prefeitura mostram que a diferença salarial, mais os R$ 20,00 incorporados no salário base dos servidores, somados à vantagem pessoal de R$ 80,00 até o teto representam um custo mensal de R$ 1.161.744,43 na folha de pagamento e R$ 10.455.699,86 no período de nove meses.
A vantagem de R$ 80,00 aos não contemplados soma mais R$ 381.274,40 no mês de dezembro de 2017, totalizando acréscimo total de R$ 1.543.018,83 na folha a partir do último mês do ano.
Já o vale-compra de R$ 392,00 de abril a novembro representa custo mensal de R$ 198.400,00 e R$ 1.785.600,00 no período de nove meses. O vale-compra de R$ 410,00 a partir de dezembro representa custo mensal de R$ 111.600,00 e custo anual de R$ 1.004.400,00.
O impacto do abono-refeição de R$ 350,00 será de R$ 111.728,15 mensais e R$ 1.117.281,50 no período de dez meses.
