A cada três mandatários norte-americanos, um se acha presidente do mundo. Como esse todo-poderoso da vez que aí está. Nem disfarça - apesar de a sua cara parecer uma máscara.
Não detenho repertório aqui na manga para dizer o que é certo ou errado, apenas avalio o cenário e suas perspectivas. Trump é o novo "Senhor da Guerra". E talvez pegue gosto em ser o "Senhor Guerra Fria". Começou bem no seu intento.
Em primeiro ataque direto ao desastroso governo de Bashar al-Assad desde o início da guerra civil na Síria, há seis anos, os EUA lascaram logo 59 mísseis contra uma base militar (síria, mas administrada com a Rússia). A versão sobre total de mortos é uma guerra à parte.
Como se viu, o ataque foi uma resposta americana ao absurdo uso de armas químicas (dessa vez, era verdade) ocorrido terça-feira em um reduto rebelde/opositor no norte sírio e imediatamente atribuído às forças do governo local, que nega autoria.
O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, chegou a dizer, logo depois, que "atos atrozes" de Assad são consequência da "debilidade" mostrada por Barack Obama. A versão sobre total de mortos é uma guerra à parte.
Fato é que Trump vai entregando seus cartões. E neles está mesmo escrito: "presidente do mundo". Rússia, aliada do governo sírio, não gostou nada da história. E uma Rússia de cara amarrada (pense na cara do Putin) declarou: "Os EUA atacaram um território soberano". É quase mesmo uma nova guerra fria que agora se rascunha. Pode virar conflito para valer. E a versão sobre total de mortos será uma guerra à parte.
Claro que o governo Trump fez o que fez de olho em suas próprias feridas. Como escreveu o jornalista Marcos Augusto Gonçalves: "Nada como um inimigo externo e uma causa justa para conciliar desavenças internas e suspender momentaneamente atritos espinhosos..."
Por mim, caíam os dois: o tal Assad e o que se acha o tal, o tal Trump. Aproveitem e levem o Putin de brinde.