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| O prédio da unidade de saúde do Jd. Mendonça, região do Mary Dota, foi entregue no início do ano passado; prejuízo com o vandalismo está sendo levantado pela prefeitura |
Imagine precisar de atendimento médico e ver todos os dias um prédio com essa finalidade abandonado. Esse é o drama dos vizinhos de duas unidades de Saúde da Família (USF) em Bauru, construídas há pelo menos dois anos e jamais inauguradas. Agora, a Prefeitura Municipal promete recuperar os espaços e colocá-los em funcionamento ainda neste ano.
Sem manutenção e vigilância, os locais enfrentam de mato alto e lixo à depredação, furtos e invasões. A situação mais crítica é a da unidade do Jardim Mendonça, cujas obras foram concluídas em meados de 2016, segundo a prefeitura. Localizada na rua Arlindo Pinto Ferreira, região do Núcleo Mary Dota, ela começou a ser vandalizada pouco tempo depois, conforme relata a vizinha Luzineth Duarte da Silva Santos, 58 anos.
"Mas, do final do ano para cá, começaram a levar portas, janelas, pias, torneiras, fiação, tudo o que pudesse render dinheiro. Só restaram o prédio e as grades do lado de fora. Já denunciamos, mas, sem vigia, fica difícil alguém conseguir controlar", relata, acrescentando que o local se transformou em ponto de encontro de usuários de drogas.
"Eles entram em bandos pelo matagal que tem em um terreno ao lado. A gente, da vizinhança, fica com medo", completa.
Assim como a USF do Jardim Mendonça, a unidade construída no Jardim Jussara, pronta desde o início de 2014, nunca foi inaugurada. Localizada entre as ruas Bernardino de Campos e Moacyr Zelindo Passoni, ela foi dimensionada para prestar atendimento de saúde a até 12 mil pessoas da região.
O local chegou a receber equipamentos e mobiliários, que depois foram retirados. Além dos pombos que vivem sobre o prédio, o terreno do município no entorno, com mato alto e lixo, atrai outros animais.
"O matagal está cobrindo até a rua. Ouvi falar que a unidade vai ser inaugurada logo, mas não está parecendo. O jeito é manter a fé e a esperança", lamenta a dona de casa Maria Benedita Ramos, de 61 anos.
"Eu sofri um infarto em 2015 e fui para a UPA da Vila Ipiranga, só depois para o Hospital Estadual. Faço acompanhamento lá e busco também o núcleo de saúde da Vila Falcão. Se a unidade na frente de casa estivesse funcionando, eu poderia ter feito um tratamento preventivo", avalia.
'Cuido pensando na vizinhança'
O mato em torno da unidade de Saúde da Família, na região do Mary Dota, era tão alto que servia de esconderijo para os itens furtados do prédio, facilitando o acesso de ladrões que passaram a invadir também as residências próximas.
"O atendimento faz falta e é triste ver o prédio destruído; só falta levarem as grades. A prefeitura limpa a praça aqui perto e não vem nessa área, que deve ter uns 10 mil metros quadrados. Fico preocupado com a escolinha no mesmo quarteirão. Cuido pensando na vizinhança", conta Valdinei Queiroga, de 42 anos.
O morador do bairro tem um trator e aluga sua roçadeira. Por isso, pediu a da prefeitura para que ele mesmo fizesse o serviço. Sem resposta, tomou a iniciativa há quase dois anos. "Por minha conta, roço o terreno a cada três meses e passo mata-mato, pago do meu bolso. Até meu caminhão já teve a bateria e o filtro de ar furtados nesse terreno".
O porteiro Benedito de Siqueira, 59 anos, que mora em frente ao prédio abandonado, já chamou a polícia diversas vezes. "Os vândalos e usuários de drogas são retirados, mas no dia seguinte aparecem outros. Essa situação atrai marginais e se tornou um risco para os moradores", alerta.
Ele está iniciando um abaixo-assinado para que a Emdurb defina apenas um sentido para a rua Arlindo Pinto Ferreira, em frente a USF, que é estreita e mão-dupla.
"Aqui já teve vários acidentes, até com morte. A gente esperava que o problema da rua fosse resolvido com a abertura da unidade... Penso também em fazer uma mobilização para que o prédio seja inaugurado. O atendimento faz muita falta, já que a UBS mais próxima está sobrecarregada", destaca.
Quem também se preocupa com os vizinhos é Elisabete Martins, 49 anos, moradora do bairro e professora da Emei Madalena Marta, separada da unidade de saúde depredada apenas pelo terreno baldio. "Eu tenho plano de saúde, mas penso na maioria da comunidade, que é carente. Foi uma conquista para o bairro, que de nada adianta ali parada. Acho que não é culpa da administração anterior nem da atual; é um desafio que o novo prefeito tem pela frente".
Secretaria promete solução neste ano
O secretário municipal de Saúde, José Eduardo Fogolin, afirma que, nos dois casos, a demora para o início do funcionamento das unidades tem causa na limitação orçamentária. "Elas foram erguidas com recursos complementares na gestão anterior sem previsão financeira para aquisição de equipamentos, mobiliário ou contratação de profissionais. Há de se considerar também as restrições impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal", aponta.
A intenção é contornar o problema esse ano, com a inauguração da USF do Jardim Jussara, que apresenta melhores condições estruturais, ainda no primeiro semestre e, até o final do ano, o início de alguns serviços no Jardim Mendonça.
Até que isso aconteça, como forma de evitar o avanço da depredação, Fogolin adianta que a prefeitura irá contratar vigias para cuidar dos dois prédios. "Antes, precisamos disponibilizar a ligação de água e energia para que estes profissionais tenha condições mínimas para permanecer no local", pondera.
CUSTEIO
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| Unidade de saúde no Jardim Jussara, região da Vila Falcão: início dos atendimentos está previsto para o primeiro semestre de 2017 |
José Eduardo Fogolin garante que a secretaria dispõe de recursos para custear a obra, assim como contratar os profissionais - entre médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, dentistas e agentes comunitários - que integrarão a equipe responsável pelo atendimento.
"Iremos convidar alguns pediatras, clínicos e ginecologistas que trabalham em outras unidades e que tenham interesse em ampliar suas cargas horárias e vamos chamar, dos concursos que estão abertos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem", detalha.
"No início da gestão, foram realizados estudos de impacto financeiro visando a ampliação de jornada de servidores interessados em prestar serviço na unidade do Jussara/Celina, além da contratação de novos profissionais", reforça.
O secretário explica que o déficit de recursos humanos está em todos os serviços da rede Municipal de Saúde, em virtude de exonerações, aposentadorias e falecimento de servidores. "Nos últimos anos, a saúde sofreu um déficit de 613 profissionais que não foram repostos".
Ele informa, ainda, que o custo estimado com pessoal (considerando nove meses) é de quase R$ 395 mil.
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