Não é a revolução da foice e martelo, porque essas ferramentas, na linha da evolução tecnológica, estão mais próximas da idade da pedra do que dos tempos atuais, das máquinas inteligentes. "Se a revolução industrial promoveu a substituição da força animal e, posteriormente, do próprio trabalho humano por máquinas, agora é nossa inteligência que vai sendo trocada por dispositivos eletrônicos cada vez mais potentes", comenta o professor da USP, Ricardo Abramovay, na Folha de 02/04.
É preciso acordar, estamos vivendo na sociedade do conhecimento. Peter Drucker comenta que houve uma mudança radical no significado de conhecimento, que era 'aplicado a ser (sabedoria) e quase da noite para o dia, passou a ser aplicado a fazer (capacidade para fazer), transformando-se em um recurso e uma utilidade. Considerado um bem privado transformou-se em bem público'.
Nas cidades ficamos maravilhados com inovações que nos surpreendem quase que diariamente, nos transportes, nas comunicações, nas construções, nas diversões, precisando estar atendo a ícones e senhas para manipular celulares, tablets, caixas eletrônicos etc. Operários - torneiros mecânicos, soldadores, eletricistas hoje comandam operatrizes numéricas, robôs, empilhadeiras programadas etc.
No campo, quem plantou feijão com cavadeira, colheu a mão e bateu com vara para debulhá-lo, hoje pode pilotar uma colheitadeira com ar condicionado, GPS e até com frigobar. Lenhador que derrubava árvores com machado, depois com motosserra, também pode pilotar possantes máquinas de cortar árvores e transportar toras.
E qual a diferença do trabalhador das ferramentas manuais com os trabalhadores de hoje? O conhecimento que aumenta e melhora a capacidade de trabalho do homem.
A matéria do professor citado acima continua: "O poder computacional desses aparatos dobra, em média, a cada dois anos. Vejamos: o sequenciamento genético custava US$ 100 milhões (R$ 240,7 milhões) em 2001 e US$ 10 milhões (R$ 16,3 milhões) em 2008. Hoje, essas informações podem ser obtidas por US$ 1.000 (R$ 3.100). Os seis pequenos retângulos de silício que, em 1958, permitiram ao Vanguard I (o quarto satélite lançado ao espaço e o primeiro alimentado por energia solar) mandar informações à Terra, que custavam muitos milhares de dólares por watt. Agora, apenas US$ 0,50." Esta é a era em que estamos vivendo e que exige dois níveis de conhecimento: o suficiente para desfrutar os seus benefícios e o necessário para se integrar a ela como contribuinte, produzindo conhecimento. O primeiro mantém a sociedade a reboque do progresso e o segundo faz o progresso.
Vejamos notícias recentes: o MEC divulgou a terceira versão da Base Nacional Comum Curricular, o primeiro documento do Brasil que vai servir como base obrigatória para a elaboração dos currículos das escolas públicas e privadas do ensino infantil e fundamental. Começou a ser pensado em meados de 2015 e, dependendo de chuvas e trovoadas, será aplicado em 2019. Mais dois anos.
E esta outra: O Brasil possui 2.486.245 crianças e adolescentes de 4 e 17 anos fora da escola, segundo levantamento feito pela ONG Todos Pela Educação, com base nos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad).
O montante representa cerca de 6% do universo total de alunos. Desse total mais de um milhão e meio são de jovens de 15 a 17 anos, que deveriam estar matriculados no ensino médio. Em lista com 76 países o Brasil ocupa a 60ª posição no ranking de educação.
Agora perguntamos: como tirar o Brasil desse atoleiro? A resposta está no exemplo da Coreia do Sul e outros países do leste asiático, com uma revolução que altere profundamente essa situação, fundada em três princípios básicos - valorização do professor, maior participação da comunidade no cotidiano escolar e melhoria da gestão dos recursos da educação. Mexer em currículo, aumentar alguns reais no salário do professor e aumentar o número de vagas, como tem sido feito, não tira do atoleiro.
Tem que ser algo muito maior, uma revolução, mesmo. Tem que ser um projeto de Estado Nação, com patriotismo, pensando no povo brasileiro, no "País do Futuro", visto por Stefean Zweig e que ainda não conseguimos atingir.