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Aumentam pacientes à espera de vagas na saúde em Bauru

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 6 min

Malavolta Jr./JC Imagens
Assim como ocorreu em março de 2016, PSC tem vários pacientes, hoje, à espera de internação 

O número de pacientes que estão no Pronto Socorro Central (PSC) e nas quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Bauru - Bela Vista, Ipiranga, Geisel/Redentor e Mary Dota - aguardando vaga em hospitais aumentou nos últimos dias.

A quantidade, que vinha girando na casa de 35 a 45 pessoas - índice já bastante elevado - disparou, e chegou a 64 na tarde de ontem. Pouco depois, à noite, o número estava em 56 pessoas.

Nove pacientes aguardavam há mais de uma semana. Um deles, um homem de 51 anos de idade, já espera há 13 dias na UPA do Geisel/Redentor por vaga de clínica médica. O pedido na Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) aconteceu em 31 de março, às 11h20 - ele chegou na unidade no dia 30. O segundo na lista é uma senhora de 71 anos, que aguarda no PSC também desde 30 de março, porém o pedido na Cross só foi feito em 5 de abril, também para clínica médica.

Outra paciente do sexo feminino espera desde 31 de março na UPA do Geisel/Redentor, por vaga de clínica médica, e outros quatro aguardam há nove dias. São ainda mais um paciente há oito dias, outro há sete dias, quatro estão esperando há seis dias e nove há cinco dias. Os demais estão na fila há menos de quatro dias. Desde 2013, uma lei municipal do então vereador Fabiano Mariano (PDT), aprovada pelos demais parlamentares à época, obriga a prefeitura a divulgar a lista de pacientes que aguardam por vaga em hospitais de referência, como o Base e o Estadual (preservando o nome da pessoa, mas citando idade, tipo de atendimento, data de entrada na unidade e do pedido na Cross).

GREVE

A Secretaria Municipal de Saúde confirma o aumento no número de pacientes na fila de espera e atribui o fato à possível redução de leitos nos hospitais públicos da cidade (Base e Estadual), em função da greve de parte dos funcionários da Famesp, que administra essas unidades, além da Maternidade Santa Isabel, Ambulatório Médico de Especialidades (AME) e o Manoel de Abreu - este último fechado desde março de 2015.

A Famesp também a redução da quantidade de vagas à greve, que completa hoje 14 dias. O presidente da instituição, Antonio Rugolo Jr., afirma que 25% dos leitos, aproximadamente, estão fechados pela paralisação. "A greve acaba interferindo sim, os leitos são regulados pela Cross, mas é necessário ter funcionários para atender. Hoje (ontem) estamos com 129 leitos fechados, sendo 73 no Hospital de Base e outros 56 no Hospital Estadual", frisa o dirigente. "E cerca de 20 desses leitos são de UTI", aponta.

Rugolo destaca que, mesmo sem a greve, a fila existiria em Bauru, pois os hospitais são referência para toda a região (68 municípios da área da DRS-6), porém, a espera poderia ser menor. "Em Bauru, a situação é mais crítica, pois a cidade não conta com um hospital municipal ou Santa Casa para atender apenas aos moradores do município, então, a dependência é grande do Base e Estadual", declara.

Ele lembra que até mesmo o repasse de verba do Estado pode diminuir se, ao final deste trimestre, a Famesp não cumprir a meta de atendimentos (realização de cirurgias e exames, por exemplo). Rugolo diz que mesmo em setores como a UTI, apenas 60% dos trabalhadores estão atuando. A assessoria de imprensa da Famesp informa ainda que 58 cirurgias eletivas foram canceladas ontem. "E são 400 desde o início da greve", diz Rugolo.

REBATE

Já o Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem e Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Bauru e Região (SindSaúde) nega veementemente que a paralisação afete os serviços de saúde. "Na verdade, a Famesp está tentando colocar a população contra o movimento de greve. Esse problema da falta de vagas não é algo de agora, e não há leitos fechados. Eles (Famesp) estão tentando mascarar um problema crônico, que já existe há muito tempo, como se a greve fosse a culpada. Nenhum setor parou, os funcionários estão cumprindo o acordo de manter os serviços", explica o advogado do SindSaúde, Evandro Garcia.

Morte de mulher gera reação familiar

Facebook/Reprodução
Silvania Costa tinha 36 anos e deu à luz ao segundo filho no último domingo

Em paralelo ao problema da falta de vagas e da greve, um fato triste ocorreu nesta semana na Maternidade Santa Isabel. Silvania Muniz Santos da Costa, de 36 anos, morreu no domingo após dar à luz. A criança, uma menina, passa bem. A gestante chegou ao hospital no dia 8 de abril (sexta-feira passada), e começou o trabalho de parto no dia seguinte

A família alega que os médicos demoraram para realizar uma cesariana, pois Silvania tinha dificuldade em ter a filha com o parto normal. Ela já tinha um filho, de 14 anos, de um relacionamento anterior, e morava com o atual marido no Jardim Chapadão (região do Mary Dota).

O esposo dela, Gustavo Henrique dos Santos Costa, acredita em erro médico. "Forçaram muito o parto normal, tentaram dando remédio. E ela tinha dois miomas, o que agrava a situação. Levaram para a sala de cirurgia, mas ela perdeu muito sangue, 80% do sangue do corpo, transferiram para o Base, mas ela não resistiu", lamenta Gustavo, em entrevista por telefone ao JC. "Queremos justiça", completa.

Já o diretor técnico da Maternidade, Fabiano Milan, diz que todos os procedimentos foram adotados corretamente. "Ela entrou na unidade com uma gestação de 41 semanas, que é o limite gestacional, e teve uma doença hipertensiva na gravidez, com mioma, tanto que já fazia acompanhamento por conta do alto risco. A paciente chegou fora do trabalho de parto e foi internada e, por isso, não havia indicação de uma cesariana. Nem toda gestação de alto risco exige uma cirurgia cesariana. Ela recebeu medicamentos para ter as contrações e conseguir o parto normal, e isso demora bastante", detalha.

"A gente tenta fazer essa indução em até 24 horas. Não obtendo sucesso, indica-se a cesariana. A paciente entrou em trabalho de parto e, em nenhum momento, a pressão arterial subiu. Quando houve sinal de sofrimento do bebê, optou-se pela cesariana, em tempo adequado, e o bebê nasceu bem. Porém, os miomas são um fator complicador, pois deixam o útero mais vascularizado. Neste caso, mesmo a cesariana é de risco. Como ela sangrou muito, foi necessário extrair o útero, para parar o sangramento. A Silvania foi encaminhada para a UTI do Hospital de Base, mas, infelizmente, veio a óbito. É um tipo de fatalidade que a gente jamais quer que aconteça", lamenta Milan.

Segundo o diretor, pelo menos três obstetras acompanharam a gestante. A última morte de parturiente na Maternidade havia sido em 2014. De acordo com o diretor, são realizados cerca de 10 partos por dia, média de 300 por mês, totalizando 3.600 anualmente.

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