Tribuna do Leitor

Nação abençoada, País perverso

Venício Augusto Francisco, mais um indignado!
| Tempo de leitura: 3 min

"Nessa terra, em se plantando tudo dá". Se não me engano, foi essa a sentença de Pero Vaz de Caminha, escrivão da esquadra de Cabral (o descobridor, não o hóspede de Bangu), ao redigir o atestado de nascimento do Brasil. Se não me engano também, aprendi que uma nação é constituída basicamente por território, povo e governo. Se há soberania, a nação é Estado. O principal objetivo do Estado é o bem comum, por isso em um Estado democrático, o poder deve emanar do povo, que é o sujeito principal da nação. Espero estar certo nessas premissas, feitas só para recordar.

Essas coisas nunca são lembradas pelos nossos políticos, pois eles são eleitos com fundamento nessas premissas, com a função de representar o povo, imbuído da missão explícita do "Bem comum do Estado". Assim, penso, se define o cerne, o núcleo, o motivo de ser e de existir de um País civilizado. O exercício de representar o povo devia ser honrado pelo múnus público, isto é, gratuitamente, sem remuneração, simplesmente pelo ideal de servir. No bem comum do Estado está implícito o bem de todos e a felicidade geral da nação que, em última análise, é o povo. É pra isso que há um congresso, escolhido pelo povo e para o povo. Os países ricos fazem isso, ainda que explorem economicamente os povos de outros países pobres, por meio de colonização disfarçada.

Bah! Belas teorias! No Brasil, não temos um congresso, temos um balcão de negócios. Esse é o problema. O bem estar comum, materializado na educação, na saúde, nos transportes, apenas para citar exemplos, é vergonhosamente negligenciado. Tudo é um círculo vicioso: sem educação o povo não sabe voltar; sem educação não há em quem votar; sem educação não temos saúde nem transporte. Sem educação não temos nação, temos um país perverso, sem ética e sem moral. Um quadro completamente caótico. Precisamos de quem coloque ordem nisso tudo, mas quem? Quem? Quem? É a grande pergunta nesse momento.

As raposas tomam conta do galinheiro, pois legislam em causa própria descaradamente. Temos o governo mais caro do mundo, que serve a todos os interesses internos e externos, menos o interesse da nação. Nosso congresso é o mais caro e o mais ineficiente, cujos membros estão preocupados em continuar lá. Não é para menos: um parlamentar custa 10,2 milhões por ano no Brasil; 3,9 milhões na Itália; 2,9 milhões na França; 850 mil na Espanha e na Argentina, nosso país vizinho, 1,3 milhão. Ainda devemos acreditar na necessidade da reforma da previdência? A mídia diz que sim. Os interesses espúrios reinam. A corrupção grassa adoidadamente. A mídia atende a tudo isso também.

Em quem votar em 2018? Para quê votar? De qualquer forma, votando nesses que aí estão é a pior opção. Nos debates eleitorais ouvimos promessas de todas as formas, mas não se vê nenhum candidato discorrer a teoria básica do Estado: o bem comum. Acho que eles nem sabem o que é isso. Por isso, continuamos tendo 40 ministros, quando 10 são suficientes. Querem fazer reformas que não atendem ao bem comum, mas interesses internos e externos, os mais cavernosos, enquanto a lição de casa vai sendo escamoteada. A fórmula exata de uma nação abençoada, mas País perverso, vai continuar? E que possamos ter instituições que possam zelar pela transparência focada explicitamente no bem comum. Se isso os homens não puderem fazer, que deixemos tudo então nas mãos de Deus. Quem sabe assim resolve!

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