| Malavolta Jr. |
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| Entre os entrevistados, 61% assumiram que costumam dirigir após uma péssima noite de sono |
Muitos motoristas pegarão as estradas hoje para curtir o feriado prolongado. E o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran) alerta para um comportamento que pouco se dá atenção, mas que pode ser tão perigoso quanto dirigir embriagado: o sono. Até 20% de todos os acidentes de trânsito estão associados à sonolência.
É isso o que mostra um estudo conduzido pela Academia Brasileira de Neurologia (ABN). Segundo os resultados da pesquisa, lançada em março, os horários com mais incidência de acidentes são durante a madrugada e após o almoço.
Por este motivo, o Detran.SP orienta que os motoristas só dirijam se tiverem condições para isso. "Assim como os acidentes causados em decorrência do consumo de bebida alcoólica, os acidentes ocasionados pelo sono podem e devem ser evitados. Para isso, é preciso conscientização dos motoristas. É importante que o cidadão sempre conduza seu veículo com segurança", ressalta o diretor-presidente do Detran.SP, Maxwell Vieira.
A partir da pesquisa, a ABN se uniu com a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) para promover a campanha "Não dê carona ao sono" (leia mais abaixo). A ação visa reduzir os acidentes, principalmente nas estradas, e conta com o apoio do Detran.SP.
PESQUISA EM DADOS
A pesquisa, que entrevistou 495 pessoas, mostra que 40% dos participantes afirmaram que já ziguezaguearam na estrada e metade já parou na via por sentir sono.
Entre os entrevistados, 61% assumiram que costumam dirigir no dia seguinte a uma péssima noite de sono. Cerca de 10% das pessoas afirmaram dirigir com sono e 23% o fazem de duas a três vezes por semana.
E qual o resultado de tal comportamento? Mais da metade dos participantes conhece pelo menos uma pessoa que quase se acidentou e 39% conhecem alguém que efetivamente sofreu acidente por ter pegado o volante com sono.
Ar frio, tomar água e ouvir música alta não solucionam o problema
Os motoristas têm uma série de artimanhas para espantar o sono. Porém, um alerta: elas têm pouca efetividade. Ar frio, tomar água ou ouvir música alta não resolvem o problema, tendo, no máximo, efeito por poucos minutos. "Mesmo recorrendo a medidas paliativas, como tomar café, o motorista está sujeito a micro sonos, de 4 a 5 segundos", diz o neurologista Gilmar Fernandes do Prado, presidente da Academia Brasileira de Neurologia.
Pode parecer pouco, mas, nesses segundos, em alta velocidade, percorre-se uma distância considerável. "Se estiver a 120 quilômetros por hora, é dificílimo parar o carro e, ao despertar, a chance de acidente é enorme. Em 10 metros você já sai da estrada e cai em uma ribanceira ou pode atravessar a pista e bater de frente em um veículo que trafega em direção oposta nas inúmeras de nossas estradas que ainda não contam com divisórias, ou mesmo se chocar contra uma dessas barreiras", ressalta Prado.
Um motorista com sono sente dificuldades em manter os olhos abertos e focados, além dos pensamentos ficarem vagos e desconexos. O condutor começa a piscar mais lentamente, e sente dificuldades em manter a mesma velocidade, podendo até sair da pista. Não notar sinalizações, retornos ou errar o caminho também são consequências.
Então, os especialistas são claros: esqueça o café ou qualquer tentativa de burlar a sonolência! O que realmente funciona é não pegar o volante com sono, evitar dirigir por períodos longos sem parada, viajar sozinho depois de uma noite mal dormida ou após um longo dia de trabalho. Também é importante observar a bula de remédios para não dirigir após tomar medicamentos que resultam em sonolência e, em hipótese alguma, dirigir após consumir bebida alcoólica.
'Não dê carona ao sono'
Justamente pelo perigo de se conciliar cansaço e direção, além de toda a estrutura de serviços oferecidas ao usuário da rodovia, as concessionárias adotaram neste ano a campanha "Não dê carona ao sono", lançada pela Associação Brasileira de Neurologia (ABN), com o apoio da Artesp e as 20 concessionárias de rodovias do Estado de São Paulo.
A campanha visa alertar usuários da rodovia sobre os perigos de dirigir cansado e contará, inclusive, com veiculação de mensagens de alerta nos painéis digitais ao longo do trecho.
Marechal Rondon deverá ter quase 600 mil veículos neste 'feriadão'
A ViaRondon, concessionária que administra o corredor oeste da rodovia Marechal Rondon (cerca de 331 quilômetros entre Bauru a Castilho), estima que vai receber cerca de 270 mil veículos no feriado da Páscoa. Já a Rodovias do Tietê, que cuidam do corredor leste (cerca 158 quilômetros entre Bauru e Tietê), prevê um movimento de 308 mil veículos até domingo. Ou seja, um total de 578 mil veículos somente na Rondon.
A Cart, concessionária que também administra rodovias que cortam Bauru, estima uma crescimento de 45% no volume de veículos de passeio durante os três dias de folga, na comparação com a média diária em dias normais. A Operação Paixão de Cristo/Páscoa da empresa começou ontem e segue até domingo, às 20h.
Inclusive, para a segurança do usuário, durante os períodos de pico de ida e volta no "feriadão", serão interrompidas as obras que possam interditar faixas de rolamento e acostamento, com exceção daquelas de longa duração (24 horas) já implantadas.
O Corredor Cart é formado pela João Baptista Cabral Rennó (SP-225), Orlando Quagliato (SP-327) e Raposo Tavares (SP-270), no total de 834 quilômetros entre Presidente Epitácio e Bauru, sendo 444 no eixo principal e 390 quilômetros de vicinais.
POLÍCIA RODOVIÁRIA
Justamente por conta desse acréscimo de veículos nas pistas, a Operação Páscoa, da Polícia Militar Rodoviária, teve início ontem e vai até o domingo, às 23h59.
Além da questão do sono, o motorista deve lembrar de acender o farol baixo durante o dia, respeitar os limites de velocidade, usar o cinto de segurança, verificar se os passageiros, inclusive no banco traseiro, também estão utilizando o equipamento e não ingerir bebida alcoólica antes de dirigir.
Vale lembrar que quem for flagrado dirigindo embriagado será multado em R$ 2.934,70 e poderá ter o veículo apreendido e a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) retida por 12 meses. O condutor poderá ainda responder criminalmente a uma pena de seis meses a três anos de prisão.
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