Moradores da Rocinha, no Rio de Janeiro, participaram nessa sexta-feira (14) de mais uma edição da Via Sacra, que há 25 anos é produzida pela Cia de Teatro Roça Caçacultura, composta por integrantes da própria comunidade.
À frente do grupo, no Largo do Boiadeiro, na Rocinha, está Robson Melo. O artista começou na Via Sacra como ator no ano 2000, já trabalhou na produção dos espetáculos e estreiou como diretor artístico. Mas a sua participação ultrapassa o cargo que ocupa agora.
“É para manter aquela chama que foi acesa em 1992. A Via Sacra representa um amor incondicional pela arte, pela Rocinha, pela favela, pelas nossas lutas sociais”, contou em entrevista.
Todos os anos as montagens destacam um tema social e nessa sexta-feira (14) o texto inspirado no livro O homem de Nazaré – a Via Sacra de hoje, de José Maria Rodrigues, vai abordar o preconceito.
Mas o momento político do país não será esquecido na contextualização da paixão e morte de Jesus Cristo com temas importantes para a sociedade. Robson destacou que, na questão do preconceito, às vezes quem reclama acaba fazendo julgamento de outra pessoa e praticando a discriminação. Já na questão política ele apontou, que, atualmente, o julgamento está relacionado ao uso de cargos para proteção pessoal.
Em 2015, a Via Sacra da Rocinha foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio de Janeiro. Para os organizadores, o fato mostra a importância da encenação como um dos maiores espetáculos de teatro de rua do Brasil.
“Não é um espetáculo religioso. É um espetáculo de rua, em que a gente conta a história de Jesus Cristo como homem. Ele se torna santo depois, mas a gente pega a passagem dele como homem e a importância que teve como ser humano para a própria humanidade” disse o diretor.