Bairros

Em Bauru há excelentes opções de formação musical gratuita

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 10 min

Aceituno Jr.
No ensaio da Orquestra e Banda Sinfônicas, na antiga Estação Ferroviária, Giovana Contador pratica violoncelo: formação musical gratuita

Um recorte das muitas oportunidades para que crianças e jovens aprendam música de graça revela de cursos que são referência no Estado e na região a projetos recentes, que têm dado passos largos rumo ao sucesso. Em alguns chegam a sobrar vagas.

Se por um lado, há iniciativas na região central, visando facilitar o acesso de alunos de todas as localidades, por outro, cada vez mais os bairros sediam projetos ou recebem cursos, na tentativa de ir ao encontro dos futuros músicos e descentralizar a formação cultural.

"Estamos desenvolvendo projetos para ampliar a oferta de nossos cursos, levando em consideração os desejos e anseios da comunidade, pois cada região tem sua preferência", garante Luiz Fonseca, secretário municipal de cultura.

"Não basta levar ações pontuais sem critério, pois os alunos fazem suas inscrições, assistem uma ou duas aulas e acabam por abandonar".

Além de manter o diálogo com os moradores dos bairros, a Secretaria planeja despertar o interesse das crianças e jovens através de workshops e apresentações dos cursos. "A arte tem a magia da transformação, cria possibilidades e abre novos horizontes, além de possibilitar o desenvolvimento pessoal", pontua o secretário.

Aline Mendes
Luiz Fonseca, secretário municipal de cultura: "A arte tem a magia da transformação"

Para todos os gostos

A Divisão de Ensino às Artes (DEA), da Secretaria Municipal de Cultura, oferece atualmente os cursos gratuitos de violão (iniciante e intermediário), flauta (doce e transversal), canto coral (iniciante) e teoria musical (iniciante) a 170 alunos, no Centro Cultural.

"Atendemos com o curso de violão os bairros Mary Dota (quarta-feira à tarde), CEU das Artes (quarta-feira à tarde), Jardim Progresso (sexta-feira, manhã e tarde) e Vila Falcão (sexta-feira, manhã e tarde). No Fortunato Rocha Lima há curso de flauta em parceria com o Projeto Girassol. Nos bairros, estão inscritos 60 alunos", informa Nilson Batista Júnior, diretor da DEA.

Participam crianças e jovens a partir de 10 anos (violão e flauta) e 12 anos (canto e teoria). As inscrições acontecem sempre no começo de cada semestre.

"Temos uma média de 60 pessoas que concluem seus cursos de música anualmente na Divisão. Como há o formato de três níveis (iniciante, intermediário e avançado), esse número pode variar bastante".

Para saber mais entre em contato pelo telefone (14) 3235-1193.

Curso prepara para orquestra e banda sinfônicas

Conhecidos pela excelência musical, grupos investem na formação de jovens; muitos se profissionalizam

Aceituno Jr.
Joana Raphaela Ferreira Barsalini fez um ano de curso e, em breve, deve integrar a orquestra ou a banda tocando violino

Há quase 15 anos a Orquestra e a Banda Sinfônica Municipal são motivos de orgulho para Bauru e fazer parte desses grupos é um sonho possível. Duas vezes por ano, em janeiro e julho, são abertas inscrições para o curso preparatório, que recebe gratuitamente iniciantes entre 11 e 15 anos.

"Após cerca de um ano de estudo teórico e práticos, os jovens passam por avaliações e podem ser integrados à Banda ou à Orquestra. Esse curso oferecido pela prefeitura é muito democrático, pois as oportunidades são iguais para todos. O resultado depende do empenho de cada um", avalia André de Sousa Pinto, maestro da Banda.

Entre os 55 músicos da Banda e os 75 da Orquestra, regida por Marcos Gomes Pereira, há voluntários e alunos bolsistas. "Os jovens que passam por aqui tem chances de profissionalização e alguns já cursam faculdade de música. Mesmo quem quer outra área tem uma vivência educacional diferenciada, pois aprende de disciplina a respeito ao próximo", avalia André. "Nosso projeto é referência no Estado de São Paulo graças aos frutos que colhemos com os alunos".

Fotos: Aceituno Jr.
André de Souza Pinto rege a Banda Sinfônica: "Nosso projeto é referência graças aos alunos"
Lucca Carbone já estuda percusão no Projeto Guri e se inscreveu para o oficina de Mc: gosto variado

DE TODOS OS BAIRROS

As aulas e ensaios ocorrem há um mês no prédio da Estação Cultural, antiga estação ferroviária. Antes eram no Automóvel Clube. "Nossos jovens vêm dos mais diversos bairros, é importante manter a Banda e a Orquestra centralizadas", pondera André.

Atualmente há 50 alunos no primeiro semestre, que começaram os estudos em 2017, e 25 que já cursam desde o ano passado. Entre eles, está Joana Raphaela Ferreira Barsalini, de 14 anos, que mora no Higienópolis. Ela aprovou a mudança de endereço. "Aqui é mais amplo e aberto, a gente se espalha na hora do estudo individual e não há tumulto de som", comenta.

Prestes a concluir o curso preparatório, comemora a própria evolução. "Antes eu não sabia nem pegar no violino, agora já sei tocar! Toco vários instrumentos e quero aprender cada vez mais".

Ao seu lado, Giácomo Bastos, de 15 anos, morador do Parque São Geraldo. "O curso foi muito bom. Além de fazer amigos, aprendi várias coisas que não vi em outros cursos de música. Toco por hobby, mas quem sabe vire profissão", partilha.

Informações pelos telefones (14) 3232-4343 e 3232-9493.

Na batida da cultura Hip Hop

Aceituno Jr.
Instrutor e músico, MC Mano Darlão vai partilhar técnicas e experiências pessoais da cultura Hip Hop

Nem só de música clássica vivem os cursos oferecidos pela Secretaria Municipal de Cultura. A Biblioteca Ramal do Geisel, por exemplo, está iniciando uma oficina de MC, elemento da Cultura Hip Hop. As aulas serão realizadas às segundas-feiras, das 15h às 17h, durante seis meses, e até amanhã, dia 17, dá tempo de fazer parte da turma.

“O MC (mestre de cerimônia) pode rimar de improviso, cantar, fazer o próprio som ou apresentar o rap. A música é uma caminhada difícil e a gente nunca sabe se vai ganhar dinheiro, mas dá uma opção para o jovem trabalhar a mente, aprender sobre música e cultura, não ficar só no celular ou se marginalizar na rua”, destaca Darlis Matoso, o Mano Darlão, instrutor da oficina e músico no grupo Mente Blindada.

“Vou ensinar da técnica para entrar na batida à experiência pessoal. A música me recuperou, salvou minha vida e quero passar isso para a molecada.”

Começa em casa

Lucca Carbone, 16 anos, mora na Vila Cardia e soube da oficina de MC por acaso. “Sempre gostei de rap e tenho interesse em aprender mais”. Ele é aluno de percussão do Projeto Guri, onde aprende música erudita e outros gêneros. “Meu gosto é diversificado. Além do lazer, estudar música ajuda a conhecer pessoas diferentes”.

Ele tem o incentivo da mãe, desde cedo. “Acredito que a educação para a música começa em casa, desde pequeno, a partir da motivação e do exemplo dos pais. Música faz bem para a alma! Muita gente diz não ter oportunidade, mas em Bauru há ótimas opções gratuitas”, ressalta Carla Carbone.

A biblioteca do Geisel fica na rua Alziro Zarur, 5-8. Fone: (14) 3203-4703.

Projeto Guri: ponto de partida para novos músicos

Formação mantida pelo Estado em parceria com a prefeitura destina alunos para o meio acadêmico e mercado de trabalho

Malavolta Jr.
Tiago Barretta e Hilda Campos ensinam alunos em orquestra de xilofone: progresso rápido na ABDA Pró-música

Integrantes de orquestras, alunos de faculdades de música e instrutores do próprio Projeto Guri: esses são alguns dos caminhos escolhidos por quem estuda ou já passou pelo programa.

Há 14 anos, Bauru tem um dos 410 polos do Projeto, que só aqui atende 290 alunos entre 6 e 18 anos, com aulas de canto coral e instrumentos de orquestra. A cidade também é sede do Grupo de Referência do Guri, que reúne 39 estudantes da região, incluindo 26 bolsistas, com até 21 anos. As inscrições são abertas duas vezes por ano.

"É uma oportunidade para crianças e jovens, de todos os bairros e classes sociais, terem acesso à formação musical sem qualquer custo. Muitos chegam sem conhecer os instrumentos e vamos apresentando, de acordo com a idade e afinidade", afirma Cíntia Formeti Moreno, coordenadora do Projeto Guri em Bauru, sediado no Jardim Higienópolis.

Aceituno Jr.
Devan Balmant, professor do Projeto Guri, aposta no desenvolvimento dos alunos
Cíntia Formeti Moreno coordena o Projeto: acesso para todos

REPERTÓRIO AMPLO

As aulas são por grupos de instrumentos e as apresentações ocorrem por naipe e com a orquestra toda, regida pelo professor Devan Balmant. "O repertório reúne música popular, erudita e contemporânea. Vai de Tim Maia a Beethoven", informa.

De perto, o orientador e maestro acompanha os resultados dos alunos. "Além do aspecto artístico, a prática de um instrumento traz benefícios para o desenvolvimento cognitivo. Com o tempo, muitos podem se profissionalizar".

Um exemplo é Leonardo de Moraes, 17 anos, que há 10 estuda clarinete no Projeto, faz parte da Banda Sinfônica Municipal e da Orquestra Sinfônica de Lençóis Paulista, integra o Grupo de Referência do Guri e estuda há dois anos no conservatório de Tatuí. "Meu objetivo é seguir carreira na música. Aqui me apaixonei pelo clarinete, foi o pontapé inicial", relembra.

O Projeto Guri é um programa sociocultural da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. Em Bauru, conta com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura. Acompanhe pelo site https://www.projetoguri.org.br ou ligue (14) 3239-6709, das 13h às 19h, de segunda a sexta-feira.

ABDA Pró-música pensa no futuro

Malavolta Jr.
Julia Camilly Oliveira ocupa as tardes na ABDA pró música

A Associação Bauruense de Desportes Aquáticos (ABDA), que há 7 anos ensina a crianças natação, pólo e atletismo, deu início há pouco mais de um mês ao projeto ABDA Pró-música.

“O objetivo é incorporar a arte na vida de crianças de baixa renda. Primeiro, porque é um trabalho intelectual, que melhora até a compreensão de outras áreas do ensino. Depois, porque a música só acontece com atenção, disciplina e ordem”, esclarece a coordenadora do projeto, Hilda Campos.

Gratuitamente, crianças de 6 a 12 anos participam da iniciação musical com o método Orff (atualmente, 71 alunos aprendem percussão) e 26 jovens de 11 a 13 anos fazem canto coral. Ainda há vagas para essa modalidade. No total, o projeto deve atender 240 alunos.

As aulas são realizadas três vezes por semana, com opções de horários nos períodos da manhã e tarde, na sede da Associação Desportiva da Polícia Militar, na região do núcleo Presidente Geisel; mesmo local das atividades esportivas.

Conforme forem avançando na formação musical, os alunos devem seguir para outros instrumentos (flauta, violino, viola de braço, contrabaixo, violoncelo, oboé, clarineta, trompa, trompete e trombone). A intenção é criar uma orquestra. “Com apenas quatro semanas de estudo, a turma de 8 a 12 anos já está tocando xilofone e tambor. E percebemos melhorias no comportamento, da timidez ao déficit de atenção”, partilha Hilda.

APRENDIZADO RÁPIDO

Em parte, os resultados se devem ao método Orff. “Ele exige que a gente ensine de forma divertida, o que aproxima e facilita, porque os alunos não querem nada mecânico, tem que ter alegria”, justifica o professor de percussão, Tiago Barretta.

A evolução também passa pelo interesse dos jovens. “É uma experiência bem bacana e estou animada. Antes eu não fazia nada além da escola, agora ocupo a minha tarde”, comenta Julia Camilly Oliveira, de 12 anos, que mora no Jardim Cruzeiro do Sul. Para participar entre em contato pelo telefone (14) 3202-9259.

Banda Liceu Noroeste: referência musical

Outro xodó de Bauru (além das sinfônicas municipais) é a Banda Marcial Liceu Noroeste. Criada em 1939, ficou ligada ao colégio Liceu Noroeste até 2014, colecionando prêmios e apresentações até fora do Brasil. O grupo parou por falta de recursos financeiros durante 13 meses e retornou há pouco mais de um ano, graças à criação da Associação Musical Liceu Noroeste.

Além da tradição e da qualidade, a banda se tornou referência na educação de jovens, objetivo que segue firme sob a regência do maestro Adalberto Alves da Costa. “A música é um potente instrumento educacional. Consegue permear várias áreas, transformando para melhor a vida das pessoas. A inteligência emocional está diretamente ligada à música e consegue estabelecer o equilíbrio dos participantes, além de permitir aos jovens se distanciar de caminhos perniciosos”, garante. “É mais barato e inteligente investir na formação do cidadão do que ter que reeducá-lo no futuro, com altos custos para toda sociedade”.

PARA PARTICIPAR

Para iniciar o aprendizado, os alunos, de ambos os sexos, devem ter entre 10 e 16 anos, além de disponibilidade para ensaiar ao menos três vezes por semana.

Os ensaios são de segunda a sábado, das 14h às 17h20, na av. Rodrigues Alves, 7-30, 1º andar. Há vagas em vários instrumentos. “As aulas são gratuitas e sempre estamos abertos a receber novos integrantes”, diz Adalberto.

Informações através do e-mail adalberto.maestro@hotmail.com.

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