Tribuna do Leitor

Seu Vallin, obrigado! Serei eternamente grato, vá com Deus!

Raeder Rodrigo Porcaro Puliesi - técnicojudiciário do Tribunal Regional Ele
| Tempo de leitura: 3 min

É com muita tristeza que recebo a notícia pelo JC do passamento do Seu Vallin. Talvez ele nem saiba o quanto foi importante para a vida profissional deste assíduo leitor. Transcorria o mês de janeiro de 1996. Eu havia regressado de São Paulo, após ter vivido naquela cidade por 6 anos. Tinha apenas 16 anos e grandes sonhos pela frente.

Minha mãe era funcionária da prefeitura, hoje aposentada, e pediu ao Seu Vallin, como era carinhosamente chamado, que arrumasse um estágio ao seu filho, pois o mesmo estava retornando de São Paulo e ela precisava arrumar uma ocupação ao mesmo, já que o menino tinha grandes sonhos e uma força de vontade incrível de se tornar uma pessoa que lhe desse orgulho. Seu Vallin chamou o garoto no seu gabinete e disse: "Você vai trabalhar na Secretaria de Economia e Finanças, vá até o primeiro andar e procure por Marinês Sander, Secretária Adjunta, já que Raul Gomes Duarte Neto estava em férias".

O garoto cheio de sonhos foi até o primeiro andar, se apresentou à Leide, secretária de secretaria e foi informado que iria trabalhar no Departamento de Processamento de Dados, comandado por Anselmo Cogo dos Santos, uma das pessoas mais iluminadas que conheci até hoje, e com David José Françoso, Davisão, como era conhecido, pessoa firme na condução dos trabalhos, hoje, secretário de Administração do Governo Gazzeta.

Fiquei um ano estagiando, sob supervisão de José Ricardo da Costa Jorge, um amigo eterno, que ainda atua na prefeitura, na referida secretaria. O mandato do prefeito Tidei de Lima se findou em dezembro de 96, com isso seu Vallin também deixou a prefeitura, mas a maneira que tratava as pessoas, seja o mais rico ao mais humilde, ficou pra sempre na minha memória.

Já no início de 97, no governo Antonio Izzo Filho, o novo secretário de Finanças, Luiz Carlos, não queria renovar meu contrato. Eu não tinha outra fonte de renda. Praticamente trabalhava 8 horas por dia para pagar a mensalidade do Colégio Prevê Objetivo, já que Duda Trevizani havia dado 50% de bolsa para este aluno, que continuava sonhando um dia chegar a algum lugar.

No último dia do meu estágio, sem esperança de que tivesse o contrato renovado, ao me dirigir ao banheiro, o diretor de Arrecadação Tributária à época, Waldemar Crivellaro Junior, auditor fiscal tributário, me questionou quando acabava meu contrato. Muito triste, eu disse a ele que terminava naquele dia, pois não seria renovado. O mesmo disse que era para eu continuar trabalhando, que ele iria resolver esse problema, pois conhecia minha mãe e sabia das nossas dificuldades. Como um enviado de Deus, Waldemar conseguiu que meu contrato fosse renovado, tendo este garoto ficado estagiando até o final do ano na prefeitura.

Depois disso, voltei para São Paulo para tentar entrar numa faculdade pública. Não deu certo e retornei a Bauru em março de 98. Comecei a investir em concursos públicos. Resumindo: fui trabalhar nos Correios, onde fiquei por 4 anos, e desde 2006 sou técnico judiciário do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo.

Onde quero chegar contando tudo isso? Quero agradecer seu Daltayr Vallin, uma pessoa que ajudou uma mãe a dar uma oportunidade a seu filho, e com muito esforço e dedicação se tornou um funcionário público, um bom cargo e que dá muito orgulho à sua família e a seus filhos. Para finalizar, eu quero agradecer a cada uma dessas pessoas citadas pela oportunidade da convivência e da ajuda para me tornar um cidadão de bem e que jamais esquece das pessoas que lhe estenderam a mão quando mais necessitou.

Ao seu Daltayr Vallin, o meu muito obrigado, vá com Deus, que Ele lhe receba de braços abertos. O Pai onipotente sabe o quanto o senhor foi importante na vida deste garoto, que hoje já está com quase 40 anos e continua na caminhada da vida. Vá com Deus, vá em paz!

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