Economia & Negócios

Crise faz triplicar pequenos negócios em 10 anos

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Aceituno Jr.
Mateus montou a sua pequena empresa em Bauru há 14 anos

Há 14 anos, Mateus Parron saiu de Presidente Prudente para montar a sua pequena empresa em Bauru. De lá para cá, o proprietário do negócio de tintas para residências e automóveis enfrentou diversas dificuldades, inclusive, a recente crise econômica. Mesmo assim, nunca pensou em fechar as portas, devido ao cenário desanimador em relação às vagas de emprego. Parron e outros tantos pequenos empresários estão em alta na cidade, que passou a abrigar 29.206 novos negócios do tipo, na última década - neste ano, o número triplicou, se comparado com 2007.

Os dados estão disponíveis no Empresômetro MPE, vinculado ao Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). Para se ter uma ideia, em 2007, havia 15.349 micro e pequenas empresas em Bauru, fato que representa 91% do total dos estabelecimentos da cidade. Em 2017, são 44.555 negócios do tipo (veja quadro ao lado) no município - incluindo MEIs -, 93% do valor absoluto.

Mateus Parron relata que o faturamento do seu negócio chegou a cair até 20% em tempos bicudos. "Nós damos um jeito: reduzimos o quadro de funcionários e enxugamos alguns gastos. Nunca pensamos em fechar", argumenta.

Consultora de negócios do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em Bauru, Patricia Zuccari explica que o aumento dos pequenos negócios se dá por dois aspectos. O primeiro é a criação da categoria Microempreendedor Individual (MEI), em 2009.

Desde aquela época, muita gente decidiu deixar a informalidade, devido aos pontos positivos da iniciativa - tais como as melhores taxas de juros e todos os benefícios fornecidos pelo INSS. 

MAIS POR NECESSIDADE

Paralelamente a este fenômeno, a crise fez com que a quantidade de empresas aumentasse, mais por necessidade do que por oportunidade. "As pessoas perdem o emprego ou passam por dificuldades financeiras e optam por abrir um negócio, principalmente, um MEI, que é a forma mais fácil", justifica.

MORTALIDADE CAIU

Além disso, Patricia afirma que os empresários que abriram seus respectivos negócios antes de 2007, como Mateus Parron, "dão o sangue" para mantê-los, justamente porque sabem a dificuldade de encontrar emprego "lá fora". "Eles dependem das empresas para viver", explica. Tanto que, em 2015, o índice de mortalidade dos pequenos negócios era de 4,7%, em Bauru. Em 2016, caiu para 2,4% e, neste ano, está em 0,3%.

Inclusive, a consultora revela que a procura pelo Sebrae também aumentou. Na Capital Paulista, por exemplo, o órgão tem feito plantões aos domingos, justamente, para atender a demanda. Em Bauru, o Sebrae abrigará a Semana do MEI, entre os dias 8 e 13 de maio deste ano.

Das nove oficinas, oito serão gratuitas. Para participar, basta fazer a inscrição através do telefone (14) 3104-1710 ou do e-mail erbauru@sebraesp.com.br. O Sebrae fica na avenida Duque de Caxias, 16-82, na Vila Cardia, em Bauru.

MEIs, micro e pequenos empreendedores

Divulgação
Consultora do Sebrae em Bauru, Patricia Zuccari revela que a procura pelo órgão também cresceu

A consultora do Sebrae em Bauru, Patricia Zuccari, explica a diferença entre MEIs, micro e pequenos empreendedores. No primeiro caso, o empreendedor individual tem até um funcionário e apresenta faturamento anual de, no máximo, R$ 60 mil.

Já o microempreendedor é aquele que fatura acima de R$ 60 mil até R$ 360 mil ao ano. O pequeno empreendedor, por fim, apresenta um lucro acima de R$ 360 mil até R$ 3,6 milhões por ano.

Você sabia?

Segundo os dados do Empresômetro MPE, Bauru conta, hoje, com 47.724 empresas ativas. Desse total, ainda de acordo com as informações do cadastro, 93% são micro e pequenas empresas e MEIs. Em 2007, o total de empresas na cidade era 16.818.

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