Sabemos que notícias sensacionalistas sempre sobressaem. Quase não há nenhum interesse da grande mídia em reportagens sobre fatos positivos. O UOL divulgou recentemente o artigo "Os 10 papas mais infames da História". (Fonte: http://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/os-10-papas-mais-infames-da-historia.phtml Acesso em 29/03/2017). Segundo esta matéria "Papas, particularmente ruins, praguejaram a Igreja do século 10 ao 16.
Mas... e os demais? Há muita virtude e santidade neles que mereceriam muitas reportagens. Isso parece não interessar aos editores e ao grande público de leitores. Aprendemos, desde criança, que a Igreja é santa e pecadora. Porém, com certeza, as suas virtudes são superiores aos que, eventualmente, tiveram deslizes. Eles responderão no juízo final pelo que fizeram. De qualquer forma, nossa fé não pode estar alicerçada em pessoas, pois elas podem errar. O mesmo raciocínio podemos estender a qualquer grupo humano. A maioria - de participantes do Clube Social, de Serviços, de Sindicalistas, de Políticos, enfim de qualquer conglomerado de pessoas com um objetivo específico - é ou foi honesta e com bons propósitos.
Vivemos hoje sob a liderança do Papa Francisco, uma líder com sensibilidade e atuação efetiva no combate à pobreza. De fato, sempre diz: "O meu povo é pobre e eu sou um deles; recomendo misericórdia, coragem e portas abertas a todos; a pior coisa que pode acontecer é pôr-se a si mesmo no centro". Quando recebeu o título de Cardeal em Roma em 2001 convidou os fiéis a não irem lá para festejar, mas destinar aos pobres o dinheiro que gastariam na viagem. Bela sugestão! "Seguir Jesus não é fácil - disse recentemente o Pontífice - mas é bom; por detrás daquela graça que pedimos - a saúde ou a solução para um problema - há vontade de sermos curados na alma, de sermos perdoados. Perguntemo-nos: Confio em Jesus, confio a minha vida a Jesus?
Estou a caminho atrás de Jesus? Ou estou sentado, a ver como fazem os outros, olhando para a vida? Ou estou sentado com a alma fechada pela amargura, pela falta de esperança? "É o grande líder espiritual hoje. Existiram e existem outros, com esses e outros carismas, no Budismo, no Cristianismo, no Espiritismo, no Hinduísmo, no Islamismo, no Judaísmo, no ateísmo, enfim em todos grupos de religiosos e de não religiosos.
A literatura predileta de minha mãe era a biografia dos santos. Adorava conhecer a vida dos mártires, dos que viveram na simplicidade e, até daqueles que tiveram uma existência muito próxima do poder (reis, chefes de estados...). Ela, segundo sua "régua" de análise, dizia que muitos santos vieram de famílias poderosas, ricas, sob influencias reais e políticas. E completava: viraram santos porque é mais difícil preservar a fé, a honestidade e os valores cristãos quando se tem outros bens materiais, principalmente o poder. Parece que a lógica dela estava correta. Basta vermos a dificuldade que alguns "poderosos" de hoje têm em pensar no bem comum.
Lembro-me com muita saudade e amor da Irmã Antonieta Maria Finochi, Apóstola do Sagrado Coração de Jesus, que conheci na década de 70. Um grande exemplo de missionária que transmitia com sua vida diária as melhores lições do cristianismo. Evangelizava pelos seus bons exemplos. É uma Santa. Assim como ela, conheci e conheço outras queridas e santas Irmãs. O que não posso é espelhar minha fé em pessoas - infelizmente existem - que se desviam daquilo que deveriam ser e não o são, mesmo professando seus juramentos ou objetivos iniciais. Verdadeiros lobos em pele de cordeiros.
Pergunto: um bom profissional de engenharia, por exemplo, precisaria ter passado, necessariamente, por uma faculdade para adquirir seus conhecimentos? Claro que não. Porém, as universidades existem para facilitarem o aprendizado do acadêmico e abreviarem o tempo de sua formação. Pena que isso nem sempre acontece. Conheço docentes que, infelizmente, complicam tanto aquilo que "ensinam" que alguns alunos acabam desistindo no meio do curso, por se acharem incompetentes. Na verdade, a praga é o professor, não o aluno, principalmente quando a maioria fracassa.
O mesmo raciocínio vale para a formação religiosa. A religião e seus líderes deveriam ser facilitadores da aproximação de seus congregados a Deus. Sabemos que isso, também, nem sempre acontece; porém, felizmente, poucos deixam sua crença quando seu superior religioso não é o modelo que deveria ser. Melhor ainda, a maioria dos pregadores da fé é boa e exemplar. Que bom! Essa maioria é o sal do mundo espiritual.