Um lance de futebol. Falta marcada. Cartão amarelo. Jogador do time adversário declara ao juiz o mal-entendido. A falta é anulada. Assim ocorreu no último domingo, 16/04, envolvendo o jogador Rodrigo Caio, do São Paulo, que, em um ato nobre, mostrou em rede nacional o significado da expressão "Fair Play".
Muitos se puseram a favor, bem como muitos, incluindo o próprio treinador Rogério Ceni, foram contra a postura honesta do jogador. Isso levanta uma questão bastante séria: até que ponto é justificável sacrificar a honestidade diante das circunstâncias?
Infelizmente, assim como um contrato informal, quando se relativiza a moral, assume-se o risco de que os termos e limites estabelecidos alarguem-se. Como consequência, o que ontem parecia errado hoje não parece mais. A longo prazo, ainda mais grave, aquilo que parecia correto passa a ser visto como errado e se torna alvo de críticas.
Sobre essa sorrateira corrupção de valores enraizada em nossa sociedade, disse uma vez Rui Barbosa: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto." Fica evidente, então, tamanho alvoroço diante do acontecimento.