Tribuna do Leitor

O dia em que fui Tirandentes

Prof. Carlos Alberto Alves Neves
| Tempo de leitura: 2 min

Na década de 60, minha falecida mãe Celina leu o livro "Revolução de Minas", de Castro Alves, que era a narrativa da história da revolução mineira em forma de teatro. E decidiu: - Vou encenar esta peça... é linda demais para ficar só no meu conhecimento. Contava a história de Tiradentes, com os seus companheiros, destacando Tomas Antonio Gonzaga, que curtia um amor por uma escrava à qual correspondia aos seus poemas amorosos.

Minha mãe estudou a longínqua época para mandar fazer os figurinhos dos inconfidentes, e das moças da corte, os quais participariam de um baile no Castelo do Visconde de Barbacena... E lá vai ela conversar com a figurinista, costureira, designer de moda, D. Maria Eugenia Rodrigues, que residia perto da casa dela, na rua 15 de Novembro... Pronto, o lance estava dado... Faltavam as botas para os inconfidentes, que teriam que ser botas até os joelhos, e lá vai d. Celina à Bela Vista, atrás do artesão que faria as tais botas... Outro lance estava dado... Agora viriam os cenários, eram 4 momentos diferentes... Reuniu 3 artistas maravilhosos: sr. Cauby Del Monte, sr. Rubens e o sr. Alcione, que desenharam em tecido, no chão da sala de aula de datilografia da Escola Progresso, os cenários maravilhosos, que viriam no I Festival de Teatro Amador de São Carlos, na Festa do Clima ganhar o troféu de melhor cenário, melhor vestimenta...

E junto a Tiradentes que falei no título. Os atores eram em número de 65, que loucura, 65 pessoas trabalhando numa mega-produção, mas D. Celina, uma mulher visionária, não tinha receio e nem medo de enfrentar tal situação. Todos tiveram que ler o romance "Tal dia é o batizado", de Gilberto de Alencar, que era a senha dos inconfidentes para poderem se reunir secretamente nas casas da cidade de Vila Rica.

E eu fui escolhido para representar o Tiradentes, que responsabilidade, que orgulho, todo vestido com o uniforme de alferes, e os espadim, prontamente emprestados pelo 4º Batalhão da PM. Lá estava eu, com as minhas falas e a representação do grande mártir da Inconfidência Mineira... Cabelos (naquela época eu os tinha) longos, fizemos um trabalho que marcou época no teatro amador do Estado de São Paulo.

Imaginem só 65 pessoas entre soldados, damas, escravos, figurantes que eram necessários para dar o ritmo ao espetáculo.... E dona Celina à frente, sempre ensinando a história, o respeito, e o amor à Pátria Brasileira.

São fatos que ficam em nossa memória, mas que precisamos partilhar para que nossos filhos e netos possam se apossar da linha histórica da Cultura de nossa Bauru.

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