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Qualidade de vida é intrínseca a cada um

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
José Roberto Magalhães Bastos e Said Yusuf Abu Lawi: livro (ao lado) que nasceu de tese de doutorado mostra que cada pessoa deve procurar o que faz bem para ela

Várias literaturas acadêmicas estabelecem algumas condições para que se tenha qualidade de vida na melhor idade. São situações ligadas à prática de exercícios físicos, ao universo do mundo turístico, à alimentação, entre outros. Mas será mesmo que ter uma vida dentro de tais conceitos traz qualidade? Ou será que a qualidade de vida é algo intrínseco a cada um?

A segunda opção é a mais provável. Pelo menos é o que aponta a tese de doutorado de um bauruense. Ela até virou livro, que foi lançado em até 50 países e em nove diferentes línguas no mês passado. Said Yusuf Abu Lawi foi convidado por uma editora alemã, em janeiro deste ano, quatro meses após a defesa de sua tese na Universidade de São Paulo (USP), a resumir o estudo e publicar um livro de 148 páginas.

A circulação da obra "Qualidade de vida e saúde bucal dos idosos universitários de Bauru" começou no mês passado, em países da Europa, Ásia e América do Norte, nas línguas russa, chinesa, inglesa, alemã, italiana, espanhola e húngara, além, claro, da portuguesa.

O ESTUDO

O tema teria agradado a editora por trazer justamente uma linha de estudo diferente das demais normalmente encontradas no meio acadêmico. "Nunca imaginei que meu estudo pudesse vir a ter uma repercussão internacional desse modo. Acredito que isso aconteceu porque os europeus cuidam muito da saúde e possuem índice de população idosa elevado", comenta o escritor, que, por formação, é economista, contador, administrador e geógrafo.

O estudo foi desenvolvido junto ao Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP, sob a orientação do professor titular José Roberto Magalhães Bastos, que virou o coautor da obra.

A tese foi embasada em pesquisas feitas com um grupo de 20 idosos estudantes do ensino superior público ou privado de Bauru. "Entrevistei um por um deles e apliquei um questionário com 50 questões que, entre outras coisas, buscava saber o que é qualidade de vida para eles", comenta Lawi.

NOVO CONCEITO

"A tese propõe um novo conceito de qualidade de vida, diferentemente da 'receita de bolo' colocada literatura em geral. Ela é tratada como algo que é intrínseco à pessoa. Cada pessoa sabe o que faz bem para ela. É uma questão de liberdade de escolha", afirma Lawi. "Algumas pessoas gostam de ficar recolhidas, outras gostam de viajar e outras não querem parar de estudar. Elas precisam ir atrás do que a satisfazem como ser individual e, num segundo momento, pensar em atividade sociais", completa.

A tese propõe ainda a inclusão de cotas para idosos nas universidades públicas, já que dos 22 mil estudantes de Bauru, a pesquisa mostrou que apenas 30 idosos estão matriculados em cursos superiores presenciais na cidade.

"Essa força intelectual é desperdiçada, muitas vezes. Existem pessoas que não tiveram a possibilidade de ingressar quando eram jovens e, hoje, querem estudar, mas têm vergonha. O estudo desperta na população essa possibilidade de cursar uma faculdade", complementa o professor José Roberto Magalhães Bastos.

O livro é comercializado em sites como o Amazon.com (50 dólares) e no MoreBook.de (55,9 euros).

A obra tem como público-alvo profissionais da área da saúde, educação, gestores, cuidadores e, claro, os próprios idosos.

Saúde bucal

A pesquisa também averiguou, ao longo dos meses de produção de conteúdo e análises, a saúde bucal dos participantes. E a tese propôs a abertura de um Departamento de Odontogeriatria na USP, dado o número elevado de idosos com problemas por falta de cuidados ainda na juventude ou vida adulta.

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