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Ciclo de cubanos se aproxima do fim, mas Saúde tenta solução

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Cinthia Milanez
A médica cubana Esther Rivero atua na UBS do Mary Dota desde que chegou a Bauru, em 2014
Eleni Ferreira, paciente da UBS do Mary Dota: "Eles são extremamente atenciosos"
Antonio, paciente da UBS do Jardim Godoy: "Eles sabem quais são as necessidades dos moradores"

O ciclo dos médicos cubanos, vinculados ao Mais Médicos - programa federal criado para levar profissionais ao Interior do País -, começou a chegar ao fim. Dos 12 profissionais lotados em Bauru, um já foi chamado para voltar a Cuba e três estão com o encerramento do contrato previsto para este mês. Por outro lado, a Secretaria Municipal de Saúde tenta reverter o quadro.

Para piorar a situação, o governo cubano decidiu suspender o envio de 710 médicos, que viriam ao Brasil ainda neste mês, devido ao aumento do volume de ações judiciais ingressadas por médicos cubanos, que pedem a permanência, no programa, além do prazo previsto pelo contrato, de três anos.

Diante do impasse, autoridades de saúde do governo cubano solicitaram à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) - responsável por intermediar a vinda dos profissionais ao País - uma reunião junto ao governo brasileiro, justamente, para discutir o problema.

Conforme a reportagem apurou, cada médico cubano realiza, em média, 30 atendimentos diários em Bauru. Caso falte apenas um profissional, a rede de atenção à saúde básica do município - setor no qual os intercambistas atuam - ficaria bem abalada.

Quem se entristeceu diante da notícia foi a dona de casa Eleni Ferreira, de 43 anos, que frequenta a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Mary Dota, situada na rua Pedro Prata de Oliveira, ao lado da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro. "Eles são extremamente atenciosos", elogia.

Já na UBS do Jardim Godoy, que fica na quadra 10 da alameda Flor do Amor, o aposentado Antonio Piqueira de Campos, de 60, relata que a atuação dos médicos cubanos melhorou - e muito - a qualidade de vida de seus pais, já idosos. "Eles visitam as casas e sabem quais são as necessidades dos moradores, principalmente, da população carente", defende.

DE VOLTA A CUBA

A médica cubana Esther Figueredo Rivero atua na UBS do Mary Dota desde que chegou a Bauru, em abril de 2014. Como o prazo previsto pelo contrato é de três anos, a profissional retornará ao País de origem dentro de pouco tempo, já que não pretende ingressar com uma ação judicial para permanecer no programa.

Esther vivia em Ciego de Ávila, que fica a quatro horas da capital cubana, Havana. Lá, ela deixou o marido e os três filhos. "Já está na hora de voltar para casa", desabafa. Esta não é a primeira experiência da médica fora de Cuba: ela já passou pela Venezuela, pela Bolívia e por Honduras, porém, nunca havia trabalhado em um país cuja língua fosse diversa da sua. 

Embora reconheça as deficiências da rede pública de saúde brasileira, Esther considera que esta foi a melhor de suas experiências. "Eu aprendi muito", finaliza a profissional.

Reunião na Capital discutiu o problema

Titular da Secretaria Municipal de Saúde, José Eduardo Fogolin Passos reconhece a importância do Mais Médicos para a atenção básica da população. Ciente do impasse envolvendo a reposição de profissionais cubanos, o secretário esteve em São Paulo, entre os últimos dias 19 e 20, para discutir o assunto. 

Na Capital, Fogolin se reuniu com outros secretários municipais, igualmente preocupados com o problema. Segundo ele, as demandas de cada cidade do Estado serão repassadas ao Ministério da Saúde, que ainda não confirmou de que forma ocorrerá a reposição dos médicos.

O secretário explica, ainda, que os três profissionais que ainda não foram chamados de volta ao país de origem continuarão trabalhando, normalmente. 

Questionado sobre a possibilidade de o município ficar sem alguns médicos, Fogolin diz aguardar uma resposta do governo federal. "Não sabemos se o impasse entre Cuba e Brasil será resolvido e os profissionais poderão entrar no País ou se as vagas dos cubanos serão ocupadas por brasileiros", justifica.

Embora a situação ainda esteja indefinida, o secretário acredita que o Mais Médicos não será interrompido.

Vagas para brasileiros

O Ministério da Saúde lançou, no último dia 20, outro edital, desta vez, com a oferta de 2.394 vagas, priorizando os médicos com registro no País. As oportunidades fazem parte do processo de reposição e substituição de profissionais da cooperação com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) por brasileiros. Além disso, também estão sendo repostas as vagas oriundas de desistências e encerramento de contrato. As inscrições ocorrerão até o dia 26 de abril, por meio do sistema do Mais Médicos, disponível no site https://www.saude.gov.br.

 

 

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