Tempo chuvoso. Propício para se relembrar dos velhos tempos. Estou diante do computador ... E começo a escrever: 75 anos. Julho deste ano. É a data do meu aniversário. Entendo que minha vida continua azul! Os sonhos são possíveis. A esperança nunca me abandonou. Sempre tenho sonhos para a vida. Conquistei-os ontem, passo por eles hoje e guardo os de amanhã. Simples, sem ansiedade. Com fé e determinação. Sei que vou chegar a essa idade superando todas as dificuldades, pois compreendo o que sou e para que sou.
Leio e observo muito os humanos, bichos, natureza e horizontes. Sem temer as minas sob meus pés e suas explosões. A ousadia e vontade de viver me levam para frente, empurrando as pedras do abismo para o lado. O exercício me sacrifica, mas deixa-me mais forte fisicamente. Sei que encontrei as ferramentas do "abc" nos livros, e sempre encontro tempo para os ler.
Tropecei e caí muitas vezes. Senti na carne, as vezes pagando pelos meus erros, com agressões morais e físicas. Sempre me levantei ao cair, por vezes precisando de muita força de vontade. Isso me acrescentou mais amor e tempo em minha passagem por aquí. É o sentido e o agradecimento da vida, que nos agracia traduzindo os tropeções com mais tempo providos de momentos de felicidade.
Me abati somente quando pessoas amadas partiram para outras dimenções. Não com raiva ou medo da morte, mas por não entender o motivo e a necessidade dessa tão cruel necessidade. Sempre estudei-me e continuo a me estudar, para descobrir o que sou e para o que continuo. Procuro ser benígno e paciente e arrependo-me quando saio deste contexto. Planto árvores e procuro ter minhas calçadas sempre limpas. Ainda tenho tanto a fazer e calçadas para varrrer... E vou fazer... E vou varrer!
Que meus companheiros idosos sejam respeitados por tudo que contribuíram e ainda continuarão!
Que a moçada de hoje descubra nos jovens de ontem coragem para escalar o futuro com dignidade e honestidade. Pais, avós e bisavós... Que fizeram de suas vidas lendas de fatos heróicos. Que a mocidade de hoje se espelhe neles, respeitando-os para merecerem o mesmo respeito quando se tornarem idosos.
Lembro-me dos meus que estão do "outro lado". Do afeto que lhes dediquei, "nas cadeiras que ajeitei" para se sentarem. Das suas narrativas das guerras no corpo e na alma. Que a moçada de hoje não lhes negue amor e respeito. Que não os desconsiderem por ouvirem pouco ou por serem lentos nas caminhadas. Que não os considerem velhos. O velho não existe. O tempo não é velho. O tempo exala sabedoria. Ele é apenas o passado. É a história.
Na verdade, como no presente, existem momentos que devem servir como referência para não praticá-los mais. Coisas usadas, como cadeiras, armários ou mesas, é que ficam velhos. "idosos não são coisas!" Ele vive, anda, semeia, colhe e divide o trigo, e o saber! Aquele que é bem vivido é quase um sábio, pois distingue perfeitamete a diferênca do bem e do mal. Consegue interceptá-los antes que aconteça e dá o devido aconcelhamento. Aí observa-se a lei do livre arbítrio, "a livre escolha!". Sua sabedoria nos ensina que "mãos espalmadas não empunham armas!" Prega o sorriso, e diz que tal procedimeto é a amizade se oferecendo.
Cada idoso é um capítulo da história, personagem principal das novelas reais da vida, plenas de alegrias, dores, tristezas, decepções e sucessos. Se cada idoso escrevesse sua históra, enriqueceria na literatura universal com a filosofia em que viveu. Que a moçada de hoje se volte para o futuro... Construído pela moçada de ontem, sempre lembrando que: "caminhar não é o bastante... O mais importante é saber caminhar!"