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Custo do Compliance: o caso Operação Carne Fraca

Luiz Fernando Nóbrega
| Tempo de leitura: 2 min

A recente Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal, desmascarou um esquema de corrupção que permitia a venda de produtos adulterados e fora do prazo de validade. A ação contou com mais de mil agentes da Polícia Federal em sete Estados brasileiros. E, embora o povo brasileiro esteja acostumado com inúmeras operações envolvendo construtoras, grandes empresários e políticos, essa Operação, por ter impactos direitos na saúde e na vida das pessoas, trouxe uma conotação diferente. Atingiu a mesa dos brasileiros e, pela tradição exportadora do Brasil neste setor, viu-se um imenso rombo de reputação e financeiro para a balança comércio do País. Na semana seguinte à Operação, as exportações de carne brasileiras haviam caído 19% e as ações das empresas envolvidas tiveram quedas que variaram entre 7% e 11%.

No desenrolar dessa Operação, o que se viu foi um movimento de comunicação intenso - e por que não dizer tenso -, envolvendo redes sociais, imprensa, notas de algumas empresas, grupos afetados e do próprio governo federal, que, além de uma reunião com representantes dos países importadores da carne brasileira, protagonizou uma cena no mínimo curiosa, levando esses representantes para uma confraternização em uma churrascaria de alto padrão em Brasília.

Diante de toda a repercussão negativa, duas questões sãos centrais no ocorrido. A primeira, é saber se a alta administração era conivente com o ocorrido e segunda, é saber se as empresas envolvidas possuem programas de integridade efetivos. Começando pela segunda questão, empresas que se relacionam com o serviço público ou que dependem deste com mais ou menos intensidade, por questões referentes licenciamentos sanitários, por exemplo, precisam ter programas de integridade que mitiguem ou, quiçá, evitem ter seus nomes sequer ventilados em casos como este.

Um programa de Compliance que dê o respaldo necessário para que a empresa comprove sua lisura com a adoção de políticas, condutas e valores nunca deixaria que situações como essa arranhassem a imagem da corporação. Tal programa, se efetivo, deixaria a empresa em uma situação em que facilmente se comprovaria, na pior das hipóteses, o envolvimento isolado de um ovo podre dentro da cesta, mas nunca permitiria o comprometimento da cesta inteira.

A máxima Se você acha caro o Compliance, tente o Non-Compliance se aplica perfeitamente a este caso. A possibilidade real que a operação tenha muitos desdobramentos, torna impossível mensurar quais os danos de imagem e financeiros que estão por vir. Sobre a primeira questão, se a alta administração era conivente com o ocorrido, a resposta está na segunda.

A verdadeira efetividade de um programa de Compliance só será conquistada com o apoio irrestrito de toda administração, primeira interessada em deixar transparente a integridade e ética da empresa. Sem a alta administração dar o tom, não existe programa de integridade que funcione e seja efetivo.

O Brasil mudou. As empresas precisam mudar. Precisam estar atentas ao cumprimento irrestrito das leis e normas se quiserem continuar competitivas e prósperas nos seus mercados.

O autor é contador - Owner L&N Consulting

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