| Malavolta Jr. |
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| "Temos um time que se classificou para o Mundial, mas a gente não sabe se realmente vai, se vai ter dinheiro para ir", lamenta Rudá Franco |
Quando terminaram, em setembro de 2016, os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro levaram consigo um mundo de investimentos difícil de ser recuperado nos esportes de menor acesso no Brasil. No polo aquático, a situação é de abandono no cenário nacional, ainda mais após o presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) ser preso por envolvimento em um esquema de desvio de verbas do esporte.
Um dos principais nomes brasileiros do esporte, o bauruense Rudá Franco espera as definições da entidade para tentar vislumbrar um futuro para a seleção brasileira. O atleta do Sesi ainda vê toda uma geração queimada pela falta de estrutura pós-Rio.
"Ainda tem a eleição da CBDA e a gente não tem nem os campeonatos dela. Aqui em São Paulo a gente já tem o Paulista e a Liga Paralela, esse é o calendário que temos. Temos um time que se classificou para o Mundial, mas a gente não sabe se realmente vai, se vai ter dinheiro para ir. Temos que esperar essa definição para sabermos como vai ser esse ciclo", afirmou o atleta.
Esporte pouco praticado e financiado no País, o polo aquático fez boa campanha na Rio 2016, terminando na oitava posição, tendo vencido três dos cinco jogos disputados na fase de grupos. "A gente ainda está pior que a natação porque somos desconhecidos. Nosso calendário é muito curto. A gente não sabe o que vai jogar, quando vai ter treino", acrescentou Rudá, durante evento de apresentação das equipes aquáticas do Sesi São Paulo.
A falta de competições atrapalha muito a formação de um elenco fechado para a equipe de polo. Em 2017, por exemplo, a equipe ficará de fora da Liga Mundial. "O auxiliar Ângelo Coelho assumiu, mas a gente não sabe se ele fica para o ciclo, então o polo aquático é uma grande incógnita hoje. Na verdade, não temos certeza nem de treinamentos. Ninguém recebeu planificação de treinos, que é importante porque é um time bem renovado", desabafou o jogador.
Sem um planejamento em longo prazo, o polo sofreu, assim como diversos outros esportes, um "boom" de investimentos rápidos para uma atuação decente na Rio-2016, sem levar em conta os próximos ciclos olímpicos. "Foi sempre muito imediatista, sempre pensando no adulto. Na base temos poucos campeonatos", pontuou.
Outra questão que irá defasar o time verde e amarelo é a saída dos "jogadores estrangeiros", como Felipe Perrone, que provavelmente deixará a seleção para defender a Espanha. "Sabíamos que os atletas iam sair depois do Rio por falta de planejamento. A gente não tinha algo para Tóquio. Ficou só o (Slobodan) Soro. Vai ajudar bastante, mas é só ele", apontou Rudá.
"Vamos ver o que sobrou para conseguirmos levar para o Mundial e fazer um próximo ciclo. Acho que vai queimar uma geração, vai ter que levar a molecada para, depois, em 2024, aí tentar uma classificação para as Olimpíadas", completou o bauruense de 30 anos.
