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45 anos de Legião Feminina: de donas de casa ao ingresso no mercado de trabalho

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Aceituno Jr.
Assim que chegam à Legião, as meninas são treinadas para o mercado e, por isso, chamadas de aspirantes
Presidente da entidade, Maria dos Anjos Fernandes Elorza relata que, inicialmente, o objetivo era o de retirar as meninas das ruas

24 de abril de 1972. Nesta data, Bauru passou a abrigar a Legião Feminina, que, antigamente, treinava as jovens apenas para cuidar do lar. Após 45 anos, acompanhando a evolução da sociedade, o foco, é claro, é outro: o mercado de trabalho. Nesta semana, a instituição, mantida pelos Lions Norte e Sul, fez aniversário (leia mais abaixo).

Presidente da entidade, Maria dos Anjos Fernandes Elorza relata que, inicialmente, o objetivo era o de retirar as meninas das ruas e torná-las donas de casa. Agora, o propósito vai além: prepará-las para o primeiro emprego. Deu tão certo que, em média, 85% das adolescentes são contratadas depois que atingem a maioridade.

A Legião Feminina recebe, aproximadamente, 300 jovens - de 14 a 17 anos e 11 meses - por ano. Assim que chegam, as meninas são treinadas para o mercado e, por isso, chamadas de aspirantes. Em seguida, passam a integrar uma das mais de 40 empresas parceiras, tornando-se legionárias.

A sede da entidade, situada na Praça Rodrigues de Abreu, 1-37, na região central da cidade, sempre foi a mesma. Até 2008, o prédio, pertencente à Prefeitura de Bauru, era utilizado em regime de comodato - uma espécie de empréstimo. Em seguida, o município doou a área à Legião.

Atualmente, o prédio conta com duas salas de aula, uma sala de informática, duas salas de apoio - para psicóloga e assistentes sociais -, secretaria, cozinha, banheiros e refeitório. Porém, Maria revela a intenção de ampliar a estrutura, diante da demanda. "Pretendemos oferecer cursos mais específicos, como o de recepcionista em consultórios odontológicos", acrescenta.

Além disso, a presidente da Legião gostaria, ainda, de aumentar o número de empresas parceiras. Se alguém se interessar, basta entrar em contato através dos telefones (14) 3223-0719 ou (14) 3223-0760, que funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

Aceituno Jr./Reprodução
Turma de meninas da Legião Feminina, em 1976

DE MÃE PARA FILHA

A auxiliar administrativa Gisele Cristina Quinalha, de 38 anos, foi legionária entre 1990 e 1993. Na época, ainda havia cursos de economia doméstica, já que a mulher ainda começava a conquistar seu espaço Em 2010, a filha de Gisele, aos 15 anos, passou a integrar a entidade e tudo mudou.

Hoje, a garota trabalha como recepcionista, na mesma empresa da qual fez parte enquanto legionária. Já Gisele é funcionária da própria Legião Feminina, há quase 20 anos. "Venho de uma família humilde e, graças à Legião, comprei minha casa e meu carro", exalta.

MUDANÇA DE PERFIL

Uma das assistentes sociais da instituição, Paula Beatriz Ramiro Nocerino acolhe as meninas que chegam à Legião - normalmente, após passar por uma triagem da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes). 

Há dez anos, Paula presta serviço à entidade e acredita que houve uma mudança de perfil. "Antes, o foco era o secretariado. Agora, as meninas se interessam por todos os setores: telemarketing, atendimento etc", argumenta.

Ao todo, a Legião Feminina conta com duas secretárias, duas cozinheiras, duas auxiliares de serviços gerais, duas assistentes sociais, uma psicóloga e três monitoras, além da diretoria, que é composta por oito voluntários, inclusive, a presidente.

Festa hoje

Em comemoração aos 45 anos da Legião Feminina, a entidade prestará uma homenagem aos Lions Norte e Sul, às antigas presidentes e aos parceiros. O evento ocorrerá hoje, às 20h, na sede da Legião. Haverá, ainda, a apresentação de um vídeo e um coquetel para os convidados.

Fala, aspirante!

Giovanna Marques Moura, de 16 anos, é aspirante da Legião Mirim e considera que a experiência seja única. "Estou aprendendo coisas novas e, com isso, amadurecendo. Não vejo a hora de começar a trabalhar", acrescenta.

Aceituno Jr.
Giovanna Moura, de 16 anos, é aspirante da Legião Mirim e considera que a experiência seja única

Outra aspirante, Helyessa Camily Lopes, de 15, destaca a importância do aprimoramento pessoal e profissional. "Eu entrei falando muita gíria e, agora, mudei o vocabulário. Quando eu começar a trabalhar, pretendo ser voluntária da Legião, porque eles estão fazendo muito por mim e quero retribuir", finaliza.

Aceituno Jr.
Outra aspirante, Helyessa Camily Lopes, de 15, destaca a importância do aprimoramento pessoal e profissional

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