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Será o fim da recessão? Segunda parte

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Eu trouxe este tema a semana passada aqui no JC tendo em mente duas vertentes: a primeira é que entendo que o ciclo recessivo está no fim e segunda é que a recuperação econômica será lenta. Por abordar o assunto, fui "provocado" na tribuna do leitor e aceito provocações elegantes como as ali colocadas como incentivo à reflexão.

Tecnicamente, recessão começa a ser caracterizada quando por dois ou mais trimestres consecutivos o Produto Interno Bruto "encolhe". A cada período que passa, a produção agregada é inferior ao período anterior. Se analisarmos pela renda per capita, a cada novo período ela recua, ou seja, a população fica "mais pobre".

O Brasil observou queda no PIB ao longo dos últimos dois anos. Vale também no sentido contrário, ou seja, para caracterizar crescimento econômico serão necessários trimestres de resultados positivos.

O Banco Central trouxe uma prévia do que pode ocorrer com o PIB na relação fevereiro com janeiro deste ano, indicando crescimento de 1,31% neste período, ou seja, resultado no campo positivo. Este foi o mote de minha pergunta a semana passada: será que o País saiu da recessão?

Tenho observado o desempenho da economia brasileira e mantenho a análise, já externada aqui, que o momento atual pode ser representado pelo U, contudo U com enorme barriga. Em outras palavras, a economia veio em queda, e avalio que está no limite inferior da queda, pronta para subir, mas como a "barriga" é enorme, deverá subir muito lentamente.

Também deixei claro no artigo que não há uniformidade no desempenho interno. Alguns setores já colocam a cabeça para fora, outros ainda estão no buraco. Por isso a colocação de recuperação lenta. Também deixei claro que a questão do desemprego será o último a ser equacionado. As empresas esgotarão sua capacidade ociosa, buscarão ganhos de produtividade, para somente após este período voltarem a contratar. É um ciclo previsível, posto que os desafios internos não são poucos.

O modelo econômico atual precisa se sustentar. O limitador de gastos do governo Federal é um caminho, mas sem reformas que reduzam os gastos públicos não há futuro para nossa economia.

Não somente a redução de gastos públicos se faz necessária, é preciso criar alicerces para nossa economia. Os investimentos produtivos estão escassos. Nossa infraestrutura é precária. A desindustrialização é verdadeira e os aportes de recursos financeiros estão mais seletivos.

Mas isso não será limitador para a economia brasileira parar de cair. O próprio ciclo econômico se encarrega de ajustar a economia para cima. Por isso a leitura que se o ciclo recessivo ainda não passou, mas ao menos está em seu fim.

Reforço: a melhora já percebida na economia e o que virá pela frente não será uniforme. Cada setor e cada família sentirão as mudanças, para melhor, cada qual ao seu tempo.

Assim, concluo: tecnicamente não atingimos o fim do ciclo recessivo, mas os indicadores da economia apontam que o País, mesmo com todas as adversidades, notadamente a instabilidade política, caminha para sair do atoleiro.

Assim, humildemente, aceito as observações de nosso leitor em suas considerações e mantenho minha leitura que logo logo teremos algo a comemorar.

O desafio, sem dúvida, será sobreviver até lá.

O autor é economista, articulista do JC

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