Quase tudo sobre honestidade se resume a responder o seguinte: "Você roubou?". Simples assim. Para honestos e desonestos: "Você roubou?". Se o indagado responde "sim", está feito: não precisa de delação, nem de mais investigação, nem de acareação, provas materiais, etc. Milhares de reais envolvidos em deslocamentos para depoimentos e logística de segurança seriam poupados. Basta que o acuado (digo, acusado) desembuche logo. Funciona no altar dos filmes românticos: ao invés de varar a noite em justificativas na igreja, basta que os noivos digam... "sim". Olha que coisa mais sim... ples.
Ocorre que ser sincero é tão difícil, tão raro, quase ficção, que já virou até inspiração para personagem. Foi no quadro "Super Sincero", do Fantástico, em 2006. Lembram? Luiz Fernando Guimarães interpretava um homem (de sobrenome Franco, é claro) que tinha verdadeira compulsão por dizer verdades na lata.
A atração foi escrita pelos mesmos autores de "Os Normais", Alexandre Machado e Fernanda Young. E lá se vão exatos sete anos desde que o último episódio foi ao ar, em abril de 2010, mas deixou seu legado de cenas hilárias para a história da TV (procure no Youtube).
Em uma dessas cenas, logo na abertura, Guimarães é um vendedor de carro seminovo. Chega um cliente, que pergunta sobre um dos modelos disponíveis, ano 88: "A mecânica tá boa?". "Ué, como é que eu vou saber?". "Desculpe, mas você não é o vendedor daqui?". "Sou, mas nenhum vendedor entende nada de mecânica, não!".
Ou como em outra no qual ele vira fotógrafo de casamento e, depois, a noiva vai buscar o álbum: "Ué, mas só tem foto do bolo aqui?!". E ele: "Você não falou para colocar apenas as que ficaram bonitas? Então, as outras estão uma porcaria!". E quando, viajando no tempo, entrou na sala de Hitler sem papas na língua?... "Todo mundo puxa seu saco, mas eu vou falar: esse bigodinho no Chaplin fica engraçado, mas em você fica patético!".
Ser contundentemente sincero é uma pancada! Mas não custa pedir aos corruptos e seus correligionários de safadeza: sejam sinceros uma vez na vida e parem logo de roubar a nossa alegria real.