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Um pouco de Bauru na 2ª Guerra

Irineu Azevedo Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

O JC de 9 de abril de 2017, sob o título 'Marcas da História', revelou que o médico bauruense Ricardo Viegas Gabriel, em 1979, em Bertioga, "se transformou em personagem de um capítulo." Ele foi chamado por uma enfermeira para atestar a morte de um homem: o procurado carrasco nazista foragido Josef Mengele.

Não é a primeira vez que o conflito Brasil-Alemanha reverbera na história. Um deles ocorreu com o navio alemão Windhuk, lançado ao mar em 15 de outubro de1936 e fez sua primeira viagem em 12 de abril de 1937, no percurso de Hamburgo, na Alemanha, até a cidade do Cabo, na África do Sul, transportando 400 pessoas.

Em 21 de julho de 1939 fez o trajeto Holanda, Bélgica, Inglaterra, Portugal, Espanha, África do Sul e Moçambique. Ocorreu que, em 3 de setembro de 1939, iniciou a guerra da Alemanha contra a Inglaterra e França, beligerância que foi encerrada somente em 1945.

Pegas de surpresa, as 244 pessoas que estavam a bordo no Windhuk obrigaram o capitão do navio alemão a mudar sua rota com o fito de atingir a Argentina. Mas os ingleses, com seus navios, também atuavam belicosamente naquela região. Restou ao seu comandante, derivar-se para o Brasil.

Esse navio entrou no Porto de Santos, camuflado como sendo japonês, com o nome Santos Maru, em 15 de janeiro de 1942, sendo que o governo brasileiro permitiu o desembarque dos tripulantes. Nessa oportunidade, a polícia marítima confiscou todos os documentos de identidade.

No início de 1942, o governo brasileiro rompeu com os alemães. Em 29 de janeiro de 1942, ele confisca o navio e o vende aos Estados Unidos. Consequentemente, a sua tripulação foi transferida para a Hospedaria dos Imigrantes, em São Paulo. Em 23 de agosto de 1942, o jornal "Folha da Manhã" noticiou que o Brasil, em face dos atentados contra sua soberania, reconhece o estado de guerra contra a Alemanha e a Itália.

Camões Filho, no livro "O canto do vento", narra que para abrigar os alemães foram criados cinco campos de concentração no Estado de São Paulo, nas seguintes cidades: Bauru, Ribeirão Preto, Pirassununga, Guaratinguetá e Pindamonhangaba, para abrigar os alemães. O campo de Bauru era localizado na região da Fazenda Val de Palmas, ocupando território do Instituto Penal Agrícola que o governador Jânio Quadros transformou na Escola Prática de agricultura "Gustavo Capanema" nele. Ainda existem vestígios desse campo de concentração.

Voltemos ao médico Ricardo Berriel e seus 28 anos, que fez a autópsia desconhecendo ser Josef Mengele. Berriel viajou até a Polônia e foi conhecer o campo de Auschwitz, onde o "Anjo da Morte", como ele era conhecido, mandou matar ou inutilizar seus prisioneiros, geralmente judeus.

Na mesma época, alemães foram aprisionados em Bauru e não foram massacrados. Houve uma alemã em Pindamonhangaba que deu à luz uma criança que sobreviveu, fato que repercutiu positivamente para os brasileiros. O mesmo não ocorreu nos campos nazistas, onde imperaram a morte e as torturas. Mas quis contar a história do médico bauruense e dos alemães no Brasil, naquele período de guerra. O primeiro fez a autópsia de um alemão nocivo à humanidade.

Os alemães viveram razoavelmente bem durante suas detenções. Segundo Camões Filho, 90 por cento daqueles tripulantes ficaram no Brasil, residindo no país definitivamente.

O autor é formado em Direito na ITE, com pós-graduação (Mestrado) na Unesp – câmpus de Bauru

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